Mick Jagger escutava Janis Joplin, que escutava John Lennon, que escutava Bob Dylan, escutava Chuck Berry, que escutava Beethoven que não escutava ninguém, pois o coitadinho era surdo. Mick Jagger pegou David Bowie, Janis Joplin teve um caso com Serguei, John Lennon morreu assassinado, Bob Dylan está soprando no vento, Chuck Berry passou de pai a avô do rock e Beethoven não conseguiu o cargo de musico mais brilhante da história porque Mozart chegou primeiro. E o pobre do mundo continua a escutar a banda Cine e o filho do Fábio Junior, que infelizmente, entraram de sopapo na história.
Sean Lennon

Imagine se você fosse músico, e seu pai fosse Keith Moon, Angus Young ou Freddie Mercury. Ok, desconsideremos a última possibilidade. Nem sempre carregar um sobrenome famoso pode ser uma vantagem. Além da pressão da mídia, vai ter sempre aqueles chatos “será que o talento é herança genética”. Não é o que acontece com o filho do beatle John, Sean Lennon. Filho de John e Yoko Ono (e nascido exatamente no mesmo dia que seu pai) é compositor, escritor, e até no cinema ele já se meteu. Apesar das comparações inevitáveis com os pais, os traços de Sean não negam nem um pouco o quanto de seu pai que carrega consigo. Sean pode não ter o carisma do pai ou a ousadia da mãe, mas com seu álbum solo lançado em 2006 Friendly Fire – que é trilha sonora do filme homônimo em que também atua – e canções avulsas lançadas pelo seu site, chama atenção pelas letras melancólicas entre o violão e baixo que acompanham a voz rouca do mais novo dos Lennons. Sean ainda trabalhou com o guitarrista do The Strokes, Albert Hammond Jr, em seu álbum de estréia, e tem em seu currículo parcerias com Mark Ronson e shows com o mutante Arnaldo Baptista. É bom ficar de olhos – e ouvidos – abertos, porque não há dúvidas de que qualidade, talento e oportunidades não faltam para o rapaz.
Nasce uma constelação

Nascia em 1940, em Liverpool, o primeiro filho de Julia Stanley e Alf Lennon. Não são muitas pessoas que permanecem cultivadas pelo tempo, mas John Lennon notoriamente é (e será por muito tempo) uma delas.
Algumas se destacam ao longo de sua existência, mas outras já nascem determinadas a ser alguém que faz, de fato, a diferença. John Winston Lennon é incontestavelmente uma delas. Se cinco tiros não o silenciaram até hoje, não há quem possa contestar sua grandeza como músico, pacifista, e uma brilhante pessoa.
As feridas da infância conturbada, o sucesso com os Beatles, a amizade explosiva com Paul McCartney, o relacionamento autodestrutivo com Yoko Ono, o filho talentoso, o envolvimento com as drogas, a luta pela paz, nada consegue ofuscar o brilho próprio que Lennon passou durante sua vida. Resumir um talentoso guitarrista e compositor como maior ícone da cultura pop é usar um eufemismo para nomear John Lennon.
Hoje, completaria 69 anos. Lennon não viveu para ver um presidente negro, a queda do muro de Berlim, as catástrofes ambientais, ou até mesmo, o seu filho se tornar um músico quase tão talentoso como ele. Mas sua curta existência foi um tempo mais que perfeitamente bem aproveitado para mostrar ao mundo o que é ser um rebelde indomável, adorável, e iluminado, deixando um enorme legado de canções, citações memoráveis, e muita inspiração para aqueles que até hoje o admiram cada vez mais devotamente. O talento de John não cabia em só uma estrela. Foi preciso formar uma constelação. Os homens passam, as músicas ficam.
De volta ao presente
Fico imaginando os ícones de certas gerações vivendo nos tempos atuais. Elvis, Lennon, Jim Morrison, Hendrix e outros conseguiriam mater suas imagens adoradas mundo a fora no século XXI? Ou será que Sid Vicious estaria compartilhando uma seringa com Pete Doherty no subúrbio londrinho, e Jimi Hendrix estaria travando solos interminavéis numa batalha com Keith Richards ou Slash? Jim Morrison se revoltaria com o sucesso dos Jonas Brothers, e Kurt Cobain teria um affair com Amy Winehouse, enquanto John Lennon jejuaria até que as tropas americanas fossem retiradas do Iraque. Janis Joplin flagrada sem calcinha, Ian Curtis disputando com Thom Yorke quem escreve as letras mais melancólicas, ou Keith Moon ensinando a Meg White como se segura uma baqueta. Os Ramones mostrariam com quantos acordes se faz uma música, a briga entre Beatles e Oasis na disputa do cargo de banda britânica mais polêmica nunca acabaria, e Elvis promoveria um concurso entre Mick Jagger e Iggy Pop para saber quem rebola melhor. Para infelicidade dos tablóides, as coisas vão continuar as mesmas por enquanto. A música e seus bons ouvintes agradecem.

Sobre a autora

Nina Rocha Campos: humor, sarcasmo, filmes velhos, gírias antigas, rascunhos esquecidos, críticas ácidas, frases vagas, música barulhenta, café forte, alguns livros, chocolate meio-amargo e 17 anos bem vividos.-

Calendário
Categorias
Post or Toast?
Arquivos
-
Vale uma visita
- Banquete dos Mendigos
- Berinjela à Milanesa
- Blog de Brinquedo
- Boa Tentativa
- Brainstorm 9
- Byte Que Eu Gosto!
- Cabine Celular
- Café de Fita
- Cancer Jack
- Casa da Pequenina
- Championship Chronicles
- Cinema Com Rapadura
- Contra a Correnteza
- Crazyseawolf
- Decepção não mata, engorda
- Do Hospital ao Cabaré
- Dr. Caligari
- Falando Em Música
- Fator 46
- FFFFOUND!
- Filosofia de Mierda
- Flowers and Cream
- Frustrações e Afins
- God vs. Godard
- Grifatexto
- Groupie's Lounge
- Hoje é um Bom Dia
- Hypeiro
- I Can Read
- Jovem Nerd
- Judão
- Linked O-rama
- Look my Make Up
- Meu estado de espírito
- Monalisa de Pijamas
- Morando Junto
- Move That Jukebox!
- My First Dictionary
- O Nerd Escritor
- O Nome não diz muito
- Pensar Enlouquece
- Pink Vader
- Podcast Suecado
- Portal Meira
- Post Secret
- Primavera nos Dentes
- Pró-apocalipse
- Provérbios Segundo São Daniel
- Rock'n'beats
- Te dou um dado?
- Tecnoblog
- Unhas Fracas
- Universo In-verso
- Viver e morrer no Cinema
-
Comentários
- fabio em Vida Longa ao Rock’n'Roll!
- Max Martins em Quadrilha Moderna
- Carol em Por Ai
- Ellen em Vergonha Alheia
- juliana em Domingo
