Corpos que não podiam ser violados, doenças como castigos divinos e perseguições àqueles que ousavam supor que a Terra não era o centro do universo estão presentes na construção da história da ciência reprimida pela religião. Inúmeros anos de pesquisas, conhecimentos desperdiçados e corpos queimados em vão. A Igreja, sempre onipotente, condenou inúmeros cientistas, físicos e seus postulados que contradiziam aos seus dogmas. A ciência, estereotipada como vilã pelos pontífices, no entanto, buscou ponderar a própria racionalidade e aliar suas descobertas com a fé de qualquer que seja a Divindade acreditada.
Os filósofos, cientistas sociais, não pecam em dizer: “nenhuma verdade é absoluta, nenhum fato é eterno”. Os avanços tecnológicos nos requerem sermos mais racionais, porém, seria uma heresia se estes nos estipulassem o afastamento das próprias crenças e valores morais. Há o tênue limite que separa a realidade do que queremos que ela de fato seja deixando o radicalismo e fanatismo chegar ao ponto de entorpecer e cegar o que nem sempre, os olhos estão dispostos a enxergar.
Os extremos ideológicos já foram responsáveis por silenciosas guerras sanguinárias, e nenhum dos posicionamentos é tão indubitável ao ponto de não poder errar. Abrandar o radicalismo e moderar conhecimentos entrelaçam fé e conhecimento, trazendo o bem estar que ambos podem proporcionar, aliando então, as “mesmas faces de duas moedas”.



Silenciosas guerras sanguíneas aonde? Não foram silenciosas. E guerras sanguíneas é quase um pleonasmo não?
É preciso lembrar que a ciência é sim uma religião pois temos fé nos resultados apresentados pelos outros e essa fé só não pode ser abalada pelo conceito de que todo fato é mutável. Mas temos que lembrar que muitas teorias já foram “provadas” se baseando em teorias que nunca foram provadas, e esse é um dos maiores perigos da ciência atual.
Não sou religioso ortodoxo, inclusive sou cientista. Estudei ciência da computação e já trabalhei com pesquisa. Lá percebi, ciência é só mais uma religião que no futuro, certamente ira ser considerada tão primitiva quanto as religiões.
Post interessante. Bjos
(coincidentemente, usamos o mesmo template)
Não quero apontar o dedo para a Igreja, mas é fato sabido que a religião sempre interfere naquilo que é fato. Embora os cientistas consigam provar muitas coisas, a religião e o dogma cristão inabalável distorcem bastante o significado real de certos acontecimentos. O sexo é somente para a reprodução – eis uma afirmação que NUNCA foi verdade, ainda que sempre presente nas atas religiosas católicas.
Acredito que o motivo pelo qual ainda há severas críticas a cientistas é porque quanto mais eles descobrem, mais a população se afasta de preceitos religiosos há muito tempo abandonados.
A Religião é o mau do mundo, as entidades religiosas dão pitaco em tudo, querem ser os certinhos mas em suas dependências está cheio de impuresas.
Acho que eles tem direito de dar opinião como qualquer um mas não podem obrigar ninguem a nada
A verdade que a igreja já teve seu ponto áureo e acabou perdendo seu poder dominador. Quando se fala em igreja se refere especialmente para Igreja Católica durante a Idade Media, mas também esta enquadrada como qualquer casa que sirva para culto de outras religiões – que servirá para mesma intenção do texto.
A verdade que a Igreja Cristã após sua criação durante o Império de Otavio Augusto é uma religião que nasce a partir do judaísmo. Ganha diversos adeptos por ser uma religião porque se identificava com as massas, ganhando força simultaneamente com o enfraquecimento do politeísmo (ou paganismo, como outros preferem) como religião oficial do Império. É duramente perseguido durante séculos, até a tolerância de Diocleciano e ser aderido como religião oficial por Constantino. Tem as primeiras divergências internas causando segregações a partir de pensamentos com o as idéias do bispo Ario e posteriormente o Cisma do Oriente. Com a desintegração do Império Romano do Ocidente e o esfacelamento de um poder controlador centralizado, o catolicismo já havia criado raízes como ideologia religiosa, deixado como herança à Idade Media.
Com o sistema feudalista de poderes houve a saída das populações das cidades para o campo devido à diminuição de importância das cidades durante aquele período pós-invações bárbaras. Houve a ascensão de Reis herdeiros do Império Romano, dito como tendo ’sangue azul’, com diversos feudos na Europa formado por diversos poderes descentralizados e desintegrados. A igreja católica já tendo sido feito parte da alta administração romana, e os Reis sendo eles cristãos muitas vezes tinham conselheiros da igreja, ou mais que isso, eram dependentes da ideologia religiosa. A Igreja já estava incrustada tanto dentro das população mais pobres, quanto dos altos poderes, sendo que eles faziam parte do chamado Segundo Estado. Com desintegração romana a dominação da Igreja católica era feita com maior facilidade com a pregação de um Teocentrismo. Durante este período o que definia a integração entre os diferentes povos não era o fato de serem de um mesmo feudo, nacionalidade – já que não havia nações – ou de serem europeus, mas a identidade entre eles era a religião, o principal motivo que unia as pessoas de diferentes povos. A dominação das populações e as justificativas do trabalho para o servo, era que uns trabalhavam (servos), outros rezavam (a igreja) e outros guerreavam (nobres) seguindo a construção de dogmas (idéias indiscutíveis) como valores religiosos. As primeiras Universidades foram criadas pelas Igrejas dominando a partir do conhecimento, em que as primeiras universidades eram matérias (Trítio e Quartil) arquitetônicas, filosóficas e teológicas. Diferente do que muitos pensam, a Igreja patrocinou muitos cientistas querendo a dominação também pelo conhecimento cientifico. Copérnico primeiro pensador a dizer que a o sol era o centro do universo, criou sua teoria de dentro da igreja, pois era um religioso, e Galileu também foi católico. Na chamada Idade das Trevas a igreja só conhecia a idéia de céu ou inferno, não havia intermediários, levando a questão de onde iriam os não batizados e os convertidos. Cria-se assim a idéia de purgatório (purgar ou purificar) que logo serviria como passagem, intermédio para curar os pecados antes de ir ao céu, logo sendo mais uma fonte de cobrança de novas indulgencias para remissão dos pecados. Durante a Idade Media o poder da Igreja era tanta que as horas eram contadas pelo badalar dos sinos, vindo do verbo orar. Os que discordavam do pensamento dito sacro da igreja eram duramente reprimidos, a exemplo dos Cátaros no sul da frança (perguntado a um religioso que comandava o movimento, como diferenciar os Cátaros dos não Cátaros, respondeu, “mate a todos! deus saberá distinguir os seus”) o que leva posteriormente a movimentos contrários a igreja.
Com o Renascimento a igreja perde seu poder com os diversos pensamentos contrários ao excessivo poder católico. Surge a chamado Reforma com os mais diversos movimentos contrários ao catolicismo levando ao seu enfraquecimento. O mais duro foi Lutero com duras criticas, o que leva ao aparecimento posteriormente dos Anabatistas de Thomas Munzer, os Calvinistas, o surgimento do Anglicanismo, e diversos outros. Com seu enfraquecimento a igreja se utiliza da Contra-Reforma e cria as Cruzadas, as Inquisições do Santo Oficio, as Grandes Navegações, e reprime duramente os contrários aos preceitos católicos.
Na Idade Moderna em muitos lugares a igreja já não tem mais autoridade. Mesmo muitos Iluministas sendo religiosos, ainda assim exprimem suas criticas como Voltaire (“O mundo só estará salvo no dia em que o ultimo Rei for enforcado com as tripas do último padre.”). Com a ascensão do pensamento republicano (mesmo o Despotismo Esclarecido) há a idéia de laicidade do estado. As engalfinhadas das diferentes religiões tocando nos pontos fracos das outras religiões perdem um pouco o poder das ideologias religiosas sobre as pessoas. Na America Latina a colonização dos povos nativos serviu para expandir a fé católica, (calvinista na Anglo-Saxônica) a fuga ou expulsão de contrários a Igreja. A Aplicação desta fé foi difícil em algumas regiões, o que levou a medidas repressivas com a morte dos ditos povos ‘pagãos’ como indígenas da Amazônia ou Pré-Cabralinos como Incas e Astecas. Alternativa ao controle da Igreja foi o sincretismo religioso com as diferentes culturas, seja o xamanismo (indígena) ou calumdum (afro), que leva a culturas hibridas atuais. A perda de poder no Brasil se dá com a ordem de saídas das Companhias religiosas por Marques de Pombal vendo o crescimento do poder religioso nas comunidades brasileiras. Com as idéias de Darwin, um golpe fatal, se cria além da oposição ao criacionismo, há a criação de idéias ateístas de que deus não teria criado a vida na terra.
Deixo os com uma pensamento de Voltaire sobre a Igreja: “Dirijo minha luta não contra as crenças religiosas dos homens, mas contra os que exploram a crença. Detestemos essas criaturas que devoram o coração de sua mãe e honremos aqueles que lutam contra elas. Acredito na existência de Deus. Em verdade, se Deus não existisse, fora preciso inventá-lo. Meu Deus não é um Rei exclusivo de uma simples ordem eclesiástica. É a suprema inteligência do mundo, obreiro infinitamente capaz e infinitamente imparcial. Não tem povo predileto, nem país predileto, nem igreja predileta. Pois para o verdadeiro crente há, apenas, uma única fé, justiça igual e igual tolerância para toda a humanidade.”
Na Idade Contemporânea no curto século vinte (segundo Erik Hobsbawn), grandes sociedades com a criação da URSS em 1919, se cria uma sociedade ateia (segundo Marx a religião era o ópio do povo) e como o facismo que inicialmente rompe com o Vaticano por declarar território Italiano, e posteriormente ganha seu apoio com o Tratado de Latrão após ter dado autonomia e criar o estado do Vaticano mais como órgão inferior ao Estado facista.
Com os escândalos que as religiões convivem, a credibilidade diminui perante a população não obcecada religiosamente. A difusão das mais diversas religiões ou o sincretismo de diversas religiões criadas na atualidade dificulta o poder de dominação de religiões maiores. Além da cultura ‘Tecno-Lucro-centrica’ da sociedade moderna, com a otimização do tempo e as mais diferentes preocupações do homem para vida, a religião é deixada de lado por muitas pessoas. Religiões crescem em conjunturas desfavoráveis, dificuldades econômicas, e são procuradas para resolver os problemas materiais, o que faz crescer as que têm propostas de retorno em vida, como as da ‘ideologia do progresso’. Há ainda o crescimento de muitas sociedades ateístas, principalmente na Europa aonde já se criam partidos ateus. A pesar de brilhante biólogo Richard Darkins escreve muitas idéias erradas sobre as religiões como principal pregador do ateísmo. A um erro crasso quando afirma que a causa dos problemas mundiais é a religião, pois a diversos problemas como desigualdade, desemprego, fome, entre outros, não serão resolvidos com a abolição das religiões. Voltaire diz que “Os principais males que atacam o homem vêm da ignorância.”
Giba Assis fala sobre Voltaire: Uma das muitas e criativas pixações de maio de 1968 em Paris propunha uma variação interessante para o desejo de Meslier: “E depois de estrangular o último burocrata nas tripas do último sociólogo, ainda teremos problemas?”. Quanto aos iluministas, eu prefiro ficar com outra frase de Voltaire, sem tripas, sem enforcamentos, sem mísseis: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo.” É só estar preparado para ouvir (e ler) muita bobagem.
Como afirma Verissimo às vezes é preciso deixar que as pessoas pensem que Deus existe para saber que nem tudo é permitido. É importante acreditar que tem alguém que olha ou interfere pelas pessoas. O grande mal é a ignorância dos extremos, tanto da crença quanto das criticas. Não tenho o mesmo repudio que Saramago pelas religiões, acho as importantes. Pessoalmente não digo que acredito em Deus, mas duvido de sua existência – por mais que as pessoas achem que isso é pecado.