(In) Concreto

Em uma cidade de 12879 habitantes, você tinha duas opções: levar uma vida medíocre e alienada ou se fechar em um mundo recluso e próprio. E não havia meio termo para Anita. Na verdade, não havia nada além de seus cadernos amarelados e uma única sala de exibição de 54 lugares. E ela criava. Criava lugares, histórias de amor, personagens fantasmas e versos curtos. Criava quase tanto quanto respirava. Suas criações tinham vida própria: eram seu legado eternizado deixados no fundo de uma gaveta. Até a luz da lâmpada incandescente era uma máscara crucial em seu teatro de marionetes. Anita vivia rodeada apenas de si mesma. Achava que tudo que fazia era uma incrível arte. Mas a maioria era descartável, seus finais eram sempre drásticos demais. Anita não se tornou uma memória ilustre nem foi eternizada, mas seu nome continuou no cimento mal acabado da esquina por um bom tempo.

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0 thoughts on “(In) Concreto

  1. Gostei. Me ientifiquei com Anita. Amo minhas criações e meu próprio mundo,é tudo que tenho,mas não vou aparecer nem ao menos nos livros da quinta série mas meu suor penetrou nas plantas daquele jardim que eu deitei,rolei e me idiverti enquanto esperava dias melhores.

    Gostei do que você escreve…Pretendo passar sempre por aqui

  2. até me identifiquei com o estilo da criação dela. Se fechar pro mundo nem sempre é ruim, aliás, nunca é. Eu podia continuar falando desse texto, ele é curto, porem amplo. e um beijo, nina :]

  3. Nina, como você me permitiu, usei dois de seus textos para trabalhar com meus alunos:
    Imparcialidade é para os fracos e Revolucionária de Sofá.
    Devo te dizer que seu trabalho é perfeito. Você é uma grande escritora e deveria pensar em publicar seus textos.
    Obrigada por me deixar entrar em seu mundo adolescente e tão cabeça!!! (tô sendo carte demais???? Ai, meu Deus!!)
    Beijos e mais uma vez obrigada
    Tia Cátia

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