Paul McCartney e a capacidade de se apaixonar

Coração com a mãozinha só se for Sir Paul

Paul não é o meu beatle favorito. Até nos Beatles as músicas cantadas por Paul não são minhas favoritas, mesmo sendo lindas. As letras são quase todas incríveis e com melodias impecáveis,  mas não são as minhas favoritas. E são bonitas numa dimensão que eu nunca tinha entendido antes. Muitas músicas dos Beatles são engraçadinhas, divertidas, revolucionarias, doidonas, sobre paz, drogas ou amizade. Mas as musicas do Paul são (quase) todas sobre só uma coisa. Algo que, ironicamente ou não, foi o John Lennon fixou como quase uma bandeira do grupo quando cantou repetitivamente que é tudo o que precisamos: amor. Quando lembramos do All you need is love, quem vem imediatamente à mente é o John Lennon. Não é questionando nem desmerecendo o amor cantado pelo Lennon, mas não há músicas tão românticas quanto as do Paul.

Não é fácil amar, tampouco falar de amor. É clichê dizer isso? É. Da mesma forma que escrever sobre os Beatles, falar sobre os Beatles, gostar dos Beatles se tornou. Mas as musicas e os textos continuam aqui, ali e em todo o lugar. Por isso faltam palavras. Fogem, somem, desaparecem quando mais precisamos. Mas isso não é problema nas canções do Paul: basta começarem as primeiras notas ou os primeiros acordes que o amor parece simples como nas melodias. Parece que aquela voz, serena e tranquila está entre os versos dizendo que tudo fica bem. Falam muito que o amor embaranga as pessoas – eu mesma vivo dizendo isto -, com todos os corações, flores e declarações cafonas.

O interessante do Paul é que ele não canta só o amor, mas  também canta a esperança. Não a de acertar o tempo todo, mas a de poder errar, começar de novo. E poder sempre ter borboletas no estomago,  ter o direito de ficar bobo. O mundo requer que gente seja cada vez mais racional que nos esquecemos como é bom desprender de preocupações e neuroses e simplesmente se fascinar por algo tão bonito de sentir. É cada vez mais fácil erguer prédios, fazer revoluções. Parece que o difícil agora é sentir alguma coisa.

E porque eu resolvi escrever tudo isso? Porque o Paul fez um clipe lindo pra uma música linda, que eu já devo ter visto umas dez vezes. Não canso, me emociono toda vez. Não sei como foi para quem viveu a época, ver musicas como as que eu escolhi para o post “nascendo”, se elas sabiam que as canções seriam eternizadas e lembradas anos e anos depois. Não sei se essas musicas tomaram de amor e esperança o coração de quem as ouvia pela primeira vez. Mas foi exatamente o que eu senti. Vontade de amar. As pessoas, as coisas, as pequenas coisas, os detalhezinhos, os sinais que dizem tudo sem dizer nada. A capacidade de se apaixonar está ai em nossa frente esperando que a desafiamos. Por alguém, por algo, por uma canção bonita. E nem precisa amar muito. Pode ser pouquinho, qualquer tanto. O importante é só sentir.

Posted in Etc