
Eu tenho uma arma carregada apontada para sua cabeça. Poderia puxar o gatilho e estourar a sua face ou dar uma coronhada tão forte em sua nuca que você cairia desacordado. Não me lembro como chegamos aqui, mesmo sendo totalmente irrelevante onde estamos. Seus miolos voariam até a janela do quarto e o sangue escorreria no vidro opaco. Finalmente, tenho o controle que sempre quis, mas que nunca me foi permitido. Você ainda duvida de que não serei capaz. Como sempre, está enganado. Gastei horas pensando em maneiras eficazes de te torturar. Queria te ver sofrer por mim, ao menos uma única vez. Quebraria seus discos e queimaria suas palavras. Mas você ainda permaneceria sem sentir nada por mim. Quero que sua pele arda. Que você sinta o meu amor queimando junto aos seus trapos. Até o seu olhar sentirá dor. Mas não uma dor passageira. Sua dor nunca cessaria. Seria continua e crescente, de uma maneira a qual você nunca se acostumaria. E sentiria. Sofreria por saber que desta vez eu não te salvaria, por mais que eu mesma quisesse. Poderia levar uma maça para casa, e quando você chegasse, estaria te aguardando com ela escondida por trás das costas que você tanto crucificou. E te falaria o quanto um dia te quis. Um close e um fade em preto e branco. “Baby it’s you” começaria a tocar na velha vitrola, exatamente no mesmo momento que eu iniciaria o meu ataque. Sem hesitar, sem sentir se quer piedade/ Mas não fui capaz de concretizar nenhum dos meus planos de chegar perto de lhe causar o que você me causou. Fraquejei, temi pela minha solidão, fugi em prantos, e logo depois, voltei. Eu tenho uma arma carregada apontada para sua cabeça. E nem assim você é capaz de dizer a única coisa que eu preciso saber.

