A arte do insulto

Tem gente que já nasce com o dom de saber xingar. Fico feliz por estar entre esses privilegiados, mas não custa nada aprimorar, ainda mais quando se tem inspirações como essas. E convenhamos: os gangsters e mafiosos sabem xingar como ninguém. Pra quem anda falando que vai xingar muito no Twitter e acha tudo uma puta falta de sacanagem, fica o aprendizado. Só não venha treinar comigo. :)

(Via Brainstorm9)

Instantâneo

Tentativa frustrada de glorificar a miséria. Tempos escassos… Tempos difíceis. Enquanto preparava o miojo, ela acendeu algumas velas. Clichê barato. Massa, romance, e uma iluminação indireta. Três minutos depois, com o alarme do microondas e o momento certo para adicionar o tempero, veio também um novo ingrediente.
- Eu não te amo mais.
- Desde quando?
- Desde agora. Assim. Subitamente.

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Minha caixa torácica não é um compartimento vazio

- Qual é o problema? – Pergunta o médico ao rapaz que esperava uma resposta desde a madrugada de quinta-feira. Enquanto apontava para o peito, indicava de onde vinha o que tanto lhe afligia.

Dói aqui. É uma dor intensa, e angustiante. Porém, ela não é daquelas dores constantes. É um vai e volta que muito me incomoda, e é nos finais de semana que tende a piorar. Parecem na verdade mil facadas, e a cada respiração forcada, sinto como se estivessem a me queimar. Já não sei mais o que faço quando nem meus melhores maços são capazes de me aliviar.

Exames de sangue, rotineiros, pedido de histórico familiar. Qual seria a anomalia surpreendente que ninguém fora até então capaz de curar? Vieram especialistas, os mais famosos cardiologistas, mas nada justificava a tal insuficiência cardiovascular. Viver doía, mas por maior que fosse a dor, se recusava a se internar. Havia um mundo inteiro lá fora, e apenas uma pessoa disposta a o esperar.

Por fim, chegou um residente, que ninguém acreditara que trouxesse uma nova esperança, quando todos quase desistiram de tentar. Como um simples estetoscópio, surpresa e espanto quando a um coração resolveu escutar. O silencio pairou sobre a sala, e uma nova descoberta – como aquilo seria possível – assombrou a todos que por um nobre acaso estavam ali.

- Te afirmo, estou surpreso, é um caso raro, mas devo lhe notificar. Não há nada ai, você deve ter esquecido o seu coração em algum outro lugar.

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“Tudo passa”

Por favor, não me venha com esta. E muito menos tente bancar o engraçadinho dizendo que somos todos passageiros – menos o motorista e o cobrador. De todos os clichês ruins que existem, este é o pior. Que tudo passa todos sabem. Mas burro é quem não pede carona ou tenta agarrar na carroceria daquilo que realmente quer. Porque alguém não diz pro cara que acabou de ganhar na loteria que um dia a grana acaba e que tudo passa? O seu relacionamento mal sucedido, sua demissão ou a morte do seu cachorro: passa. Ninguém precisa te lembrar o tempo inteiro que você está dando valor demais a banalidades. Enquanto isso acontece, tudo passa. E sim, pode até ser verdade: está tudo passando impetuosamente. Os outros, as oportunidades, o mundo. Até a uva-passa. Você deixou passar. Não teve garra suficiente para manter. Se passa sem deixar marcas, sem deixar cicatrizes, talvez nem devesse ter passado. O que vale a pena de verdade, não, não passa. Fica cravado na pele, na memória, no rosto. Então, diga-me qualquer coisa, menos que tudo passa. Não há maior blábláblá de perdedor. Se tudo passa, talvez seja a hora de você tirar umas férias na Transilvânia. Ou em algum lugar bem longe de mim: quem precisa dar uma passada, meu caro, é você.

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