- Qual é o problema? – Pergunta o médico ao rapaz que esperava uma resposta desde a madrugada de quinta-feira. Enquanto apontava para o peito, indicava de onde vinha o que tanto lhe afligia.
Dói aqui. É uma dor intensa, e angustiante. Porém, ela não é daquelas dores constantes. É um vai e volta que muito me incomoda, e é nos finais de semana que tende a piorar. Parecem na verdade mil facadas, e a cada respiração forcada, sinto como se estivessem a me queimar. Já não sei mais o que faço quando nem meus melhores maços são capazes de me aliviar.
Exames de sangue, rotineiros, pedido de histórico familiar. Qual seria a anomalia surpreendente que ninguém fora até então capaz de curar? Vieram especialistas, os mais famosos cardiologistas, mas nada justificava a tal insuficiência cardiovascular. Viver doía, mas por maior que fosse a dor, se recusava a se internar. Havia um mundo inteiro lá fora, e apenas uma pessoa disposta a o esperar.
Por fim, chegou um residente, que ninguém acreditara que trouxesse uma nova esperança, quando todos quase desistiram de tentar. Como um simples estetoscópio, surpresa e espanto quando a um coração resolveu escutar. O silencio pairou sobre a sala, e uma nova descoberta – como aquilo seria possível – assombrou a todos que por um nobre acaso estavam ali.
- Te afirmo, estou surpreso, é um caso raro, mas devo lhe notificar. Não há nada ai, você deve ter esquecido o seu coração em algum outro lugar.
