Torradas Tostadas

Archive for Fevereiro, 2010

And the winner is…

Difícil adivinhar quem serão os vencedores do Oscar, que acontece no próximo domingo, 7 de março. Mas os posters retrô de alguns indicados, feitos pelo designer Travis Coburn, são sem dúvida a versão mais  bonita e criativa dos possíveis premiados pela Academia.

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Tavis_Coburn_BAFTA_AnEducation

Tavis_Coburn_BAFTA_Precious

Tavis_Coburn_BAFTA_Hurt_Locker
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Bonitos, né? Só faltou mesmo o de Bastardos Inglórios – diz a fã esperançosa que ainda acha que Quentin Tarantino pode ser premiado.

(Via Itubaína Retrô)

posted by Nina R. in Arte, Cinema and have Comments (7)

Primeiros-socorros

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Já não me interessa a sua família
Seus vícios, sua obsessão doentia
Já não me importa
Os seus restos corroídos
Que despencam, à medida que você passa
Não me fere o quão seja doido
Não me atinge se está ou não ferido
Os meus primeiros-socorros já foram gastos
E eu não mais escuto aos seus lamentos
Por mais que você já esteja assim…
Calado.

posted by Nina R. in Poemas and have Comments (7)

Beatle George

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George Harold Harrison, 25/02/1943 – 29/11/2001

posted by Nina R. in Fotos, Música and have Comments (3)

Music Sunday #06

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Lonely Hearts Club Band

Giovanni se isolava, passando seus dias em busca de um roteiro qualquer que o tirasse da mediocridade e miséria que se perpetuava. Seu nome ainda era adorado por aqueles que tinham esquecido seus fracassos em preto e branco e guardavam a copia exemplar da única coisa que fizera que o trouxesse algum orgulho. Seu copo, sempre meio vazio, e ele, sempre meio acabado. Mas precisava daquilo. Enquanto estava com a câmera na mão, poderia tomar o rumo que quisesse, ao contrario de sua própria realidade. Nada o faria superar seus romances perdidos nos sets de filmagem e os cheques sem fundo que voltavam no dia 12 de cada mês. Não era uma questão de tempo, e sua criação estava proporcionalmente ligada a sua destruição, que aos poucos, se agravava cada vez mais. A criatividade requer coragem. Ele sabia disso, mas insistia em não colaborar. As únicas jornadas de Giovanni fora de casa eram buscas por cervejas e cigarros. Já passava das 11 numa noite de quinta e a cidade já estava fechada para balanço. O mercado mais próximo num raio de 5 km estava a dois quarteirões que pareciam estar mais distantes em cada passo tomado. Ele queria registrar cada carro que passava, cada barulho que ouvia, cada prego em que pisava. Mas seria tudo mediocremente igual. O cotidiano já não atraia a mais ninguém, e só aumentaria a profundidade do seu afogamento decadente. Chegou ao mercado. A moça no balcão perguntou se levaria o de sempre.  Em um tom seco, disse que essa noite, sua única companhia seriam os cigarros.  Retornava então a sua odisséia noturna. Os anéis de fumaça o acompanhavam e dialogavam em silencio. Giovanni não dormia há três dias, mas nunca estava realmente acordado. Dependia de comprimidos deixados pela ex-mulher para as três ou quatro horas de sono. Não era suficiente. Nada era o bastante. Precisava de algo que não sabia o que era. A busca por algo desconhecido logo se tornara uma obsessão, e sua única vitima era si mesmo. O seu pior erro era ter medo demais de cometer um. Giovanni estava sufocado. Precisava fugir da monotonia. Sua vida era uma prisão, e ele mesmo era o policial encarregado de sua cela que, ignorantemente, não se permitia nem o banho de sol. Precisava do impulso para a imaginação. Desesperado e sem esperanças, se vencia aos poucos ao vagar por ruas vazias em busca de inspiração, embora soubesse que a chance de encontrá-la era menor que o saldo em sua conta corrente. Cada minuto parecia se estender a eternidade e nada prendia sua atenção. Giovanni precisava de uma amante constante, embora não quisesse admitir. Alguém que passasse a madrugada de terça para quarta em sua casa e fosse embora sem arrumar a cama não era mais suficiente. Foi numa manhã nublada de segunda, em busca do expresso perfeito que as pupilas de Giovanni se dilataram. Poderia ser o cansaço, mas de certo modo, ele havia esperado a vida toda para encontrar aquele certo alguém. Mas a aproximação, tantas vezes filmada, nunca sairia da forma que tanto almejou. Os dias que se arrastavam pelo calendário, depois daquele momento passariam em uma velocidade surpreendente. O mundo parecia ter parado. Pela primeira vez, Giovanni não sabia o que realmente fazer. A mulher parada na livraria era agradável aos olhos de Giovanni e tinha um álbum dos Beatles em suas mãos. Parecia conversar consigo mesma, discutindo com o seu ego a genialidade de Lennon ou de McCartney. Giovanni aos poucos se aproximava com seu café na mão. Tudo e nada poderia acontecer ao mesmo tempo. O nervosismo o fazia tremer e soltar frases estúpidas continuamente.
- Não gosto dos Beatles. Comerciais demais.
Ela simplesmente o ignorou e continuou prestando atenção em seus discos enquanto desviava daquele cara intrometido e com péssimo gosto musical. Não passava por sua cabeça como alguém poderia não gostar daquilo que ela mais amava, depois de si mesma. Giovanni não desistiria fácil. Ele continuou a observá-la, fria e arrogante, indiferente a tudo que a rodeava.
- Meu nome é Giovanni. Posso te pagar uma bebida?
Ela respirou fundo antes de dizer qualquer coisa. A única palavra que ele até então escutaria de sua boca seria um não, engolido a seco. Se Giovanni não tivesse esbarrado acidentalmente e derrubado o café em sua blusa nova, seria aquela a ultima e única vez que se viram.
- Você é um babaca.
Giovanni logo tirou sua jaqueta e a entregou, com a intenção de esconder o estrago que tinha feito. Ela só arrancou a jaqueta de sua mão e saiu enfurecida. Ele não se surpreendeu. Já estava acostumado a fazer tudo errado. Alem da jaqueta, teria que dormir sem a oportunidade de te-la.  Conformado com o fracasso, Giovanni voltou ao seu cativeiro, como se tivesse articulado uma fuga impressionante e logo após de realizada, teria se arrependido de seu feito. Quanto mais o desprezasse, mais a desejaria. Aquela imagem não abandonava sua mente, e de certa forma, ele gostava. Não sabia se a veria novamente, mas a simples possibilidade era empolgante e suficiente para fazê-lo vencer o relógio. Não foi preciso que dormisse para que a encontrasse em um sonho bizarro. A campainha tocou logo pela noite, enquanto Giovanni resmungava vestindo uma camiseta qualquer pra atender a porta. Esfregou bastante os olhos ao abri-la e deparar-se com a imagem que o perseguiu durante todo aquele dia. Não sabia como, mas ela realmente estava lá.
- Desculpe-me, não tive um bom dia. Obrigada pela jaqueta. O convite de mais cedo ainda está de pé?
Aquelas palavras caíram como bombas na cabeça de Giovanni, e embora tenha demorado a processá-las, logo a convidou para entrar.
Vicky era uma escritora medíocre em busca desesperada de publicar seu primeiro livro. Seu desprezo por tudo e por todos camuflava a sua insegurança, que a tornava uma pessoa frágil embora sempre aparentasse o contrario. Não havia alguém egocêntrico como ela. Sacrificaria qualquer coisa para conseguir o que queria, mesmo se nem soubesse o que era. Ela era seu assunto favorito, mas Giovanni não importava de escutá-la por horas, contanto que pudesse olhar fixamente em seus olhos claros e os lábios realçados pelo batom exótico. Já Vicky o via como uma válvula de escape, a sua conexão com o mundo, já que passava mais tempo agrupando palavras sem nexo em frases idiotas, que eram apagadas logo após serem escritas, do que lembrando que existia um mundo de verdade lá fora.
Giovanni tinha esquecido como era a vida em cores. O monocromático já havia a tanto tomado conta de sua vida, que fazia parte dela, e seria difícil imagina-la de uma outra forma se não o preto no branco. E a cor estava de volta aos seus olhos. Eles poderiam passar horas ali, num sofá esverdeado, falando sobre cinema ou a tonalidade das folhas – contanto que não tocassem no assunto Beatles, e até o silêncio, as vezes, constrangedor, era o melhor dos diálogos. Já passava das duas da manha, e Vicky se despediu de sua nova aquisição sentimental com uma promessa de um novo encontro no dia seguinte. Giovanni não conseguia entender. Em menos de 24 horas, alguém havia comprometido toda a sua perspectiva de tudo. Mas para ela, era tudo exatamente igual, e ele era só um mero personagem em sua trama ainda sem inicio e fim. Mesmo que ele não existisse, Vicky tinha convicção de que o criaria assim que seu bloqueio criativo passasse. Ela podia não saber, mas não estava mais tão imune a agentes exteriores,  e seu sistema imunológico logo estaria em baixa. Ela ainda não havia descoberto, mas achara ali, inspiração para toda a sua vida.
Passaram a se encontrar diariamente, das quatro a meia-noite. Ele havia voltado a filmar, e ela, voltado a viver. A queria como nunca quis se quer a si mesmo. Era como se fossem as duas metades de uma mesma pessoa, de uma forma que não mais existiriam sem o seu próprio conjunto. Mas ela era orgulhosa demais para admitir que quisesse estar ao seu lado. Não podiam se ter, mas se tinham o suficiente para encontrarem um estimulo a suas existências precárias. Queriam gritar ao mundo, e se calar de uma nova forma, por um segundo, o quanto se amavam, preparar o café da manha usando só uma camisa de botões e como tinham se descoberto num parâmetro incomparável de sentimentalismo arcaico. Ninguém cederia. O tédio permaneceria entre uma tragédia e um gole de café. E era tédio, de qualquer forma. Mas a dois, sempre seria mais interessante. Com as frases de Vicky e a cenas de Giovanni, estaria ali um filme perfeito, se alguém se propusesse a o realizar.

Giovanni se isolava, passando seus dias em busca de um roteiro qualquer que o tirasse da mediocridade e miséria que se perpetuava. Seu nome ainda era adorado por aqueles que tinham esquecido seus fracassos em preto e branco e guardavam a copia exemplar da única coisa que fizera que o trouxesse algum orgulho. Seu copo, sempre meio vazio, e ele, sempre meio acabado. Mas precisava daquilo. Enquanto estava com a câmera na mão, poderia tomar o rumo que quisesse, ao contrario de sua própria realidade. Nada o faria superar seus romances perdidos nos sets de filmagem e os cheques sem fundo que voltavam no dia 12 de cada mês. Não era uma questão de tempo, e sua criação estava proporcionalmente ligada a sua destruição, que aos poucos, se agravava cada vez mais. A criatividade requer coragem. Ele sabia disso, mas insistia em não colaborar. As únicas jornadas de Giovanni fora de casa eram buscas por cervejas e cigarros. Já passava das 11 numa noite de quinta e a cidade já estava fechada para balanço. O mercado mais próximo num raio de 5 km estava a dois quarteirões que pareciam estar mais distantes em cada passo tomado. Ele queria registrar cada carro que passava, cada barulho que ouvia, cada prego em que pisava. Mas seria tudo mediocremente igual. O cotidiano já não atraia a mais ninguém, e só aumentaria a profundidade do seu afogamento decadente. Chegou ao mercado. A moça no balcão perguntou se levaria o de sempre.  Em um tom seco, disse que essa noite, sua única companhia seriam os cigarros.  Retornava então a sua odisséia noturna. Os anéis de fumaça o acompanhavam e dialogavam em silencio. Giovanni não dormia há três dias, mas nunca estava realmente acordado. Dependia de comprimidos deixados pela ex-mulher para as três ou quatro horas de sono. Não era suficiente. Nada era o bastante. Precisava de algo que não sabia o que era. A busca por algo desconhecido logo se tornara uma obsessão, e sua única vitima era si mesmo. O seu pior erro era ter medo demais de cometer um. Giovanni estava sufocado. Precisava fugir da monotonia. Sua vida era uma prisão, e ele mesmo era o policial encarregado de sua cela que, ignorantemente, não se permitia nem o banho de sol. Precisava do impulso para a imaginação. Desesperado e sem esperanças, se vencia aos poucos ao vagar por ruas vazias em busca de inspiração, embora soubesse que a chance de encontrá-la era menor que o saldo em sua conta corrente. Cada minuto parecia se estender a eternidade e nada prendia sua atenção. Giovanni precisava de uma amante constante, embora não quisesse admitir. Alguém que passasse a madrugada de terça para quarta em sua casa e fosse embora sem arrumar a cama não era mais suficiente. Foi numa manhã nublada de segunda, em busca do expresso perfeito que as pupilas de Giovanni se dilataram. Poderia ser o cansaço, mas de certo modo, ele havia esperado a vida toda para encontrar aquele certo alguém. Mas a aproximação, tantas vezes filmada, nunca sairia da forma que tanto almejou. Os dias que se arrastavam pelo calendário, depois daquele momento passariam em uma velocidade surpreendente. O mundo parecia ter parado. Pela primeira vez, Giovanni não sabia o que realmente fazer. A mulher parada na livraria era agradável aos olhos de Giovanni e tinha um álbum dos Beatles em suas mãos. Parecia conversar consigo mesma, discutindo com o seu ego a genialidade de Lennon ou de McCartney. Giovanni aos poucos se aproximava com seu café na mão. Tudo e nada poderia acontecer ao mesmo tempo. O nervosismo o fazia tremer e soltar frases estúpidas continuamente.

- Não gosto dos Beatles. Comerciais demais.

Ela simplesmente o ignorou e continuou prestando atenção em seus discos enquanto desviava daquele cara intrometido e com péssimo gosto musical. Não passava por sua cabeça como alguém poderia não gostar daquilo que ela mais amava, depois de si mesma. Giovanni não desistiria fácil. Ele continuou a observá-la, fria e arrogante, indiferente a tudo que a rodeava.

- Meu nome é Giovanni. Posso te pagar uma bebida?

Ela respirou fundo antes de dizer qualquer coisa. A única palavra que ele até então escutaria de sua boca seria um não, engolido a seco. Se Giovanni não tivesse esbarrado acidentalmente e derrubado o café em sua blusa nova, seria aquela a ultima e única vez que se viram.

- Você é um babaca.

Giovanni logo tirou sua jaqueta e a entregou, com a intenção de esconder o estrago que tinha feito. Ela só arrancou a jaqueta de sua mão e saiu enfurecida. Ele não se surpreendeu. Já estava acostumado a fazer tudo errado. Alem da jaqueta, teria que dormir sem a oportunidade de te-la.  Conformado com o fracasso, Giovanni voltou ao seu cativeiro, como se tivesse articulado uma fuga impressionante e logo após de realizada, teria se arrependido de seu feito. Quanto mais o desprezasse, mais a desejaria. Aquela imagem não abandonava sua mente, e de certa forma, ele gostava. Não sabia se a veria novamente, mas a simples possibilidade era empolgante e suficiente para fazê-lo vencer o relógio. Não foi preciso que dormisse para que a encontrasse em um sonho bizarro. A campainha tocou logo pela noite, enquanto Giovanni resmungava vestindo uma camiseta qualquer pra atender a porta. Esfregou bastante os olhos ao abri-la e deparar-se com a imagem que o perseguiu durante todo aquele dia. Não sabia como, mas ela realmente estava lá.

- Desculpe-me, não tive um bom dia. Obrigada pela jaqueta. O convite de mais cedo ainda está de pé?

Aquelas palavras caíram como bombas na cabeça de Giovanni, e embora tenha demorado a processá-las, logo a convidou para entrar.

Vicky era uma escritora medíocre em busca desesperada de publicar seu primeiro livro. Seu desprezo por tudo e por todos camuflava a sua insegurança, que a tornava uma pessoa frágil embora sempre aparentasse o contrario. Não havia alguém egocêntrico como ela. Sacrificaria qualquer coisa para conseguir o que queria, mesmo se nem soubesse o que era. Ela era seu assunto favorito, mas Giovanni não importava de escutá-la por horas, contanto que pudesse olhar fixamente em seus olhos claros e os lábios realçados pelo batom exótico. Já Vicky o via como uma válvula de escape, a sua conexão com o mundo, já que passava mais tempo agrupando palavras sem nexo em frases idiotas, que eram apagadas logo após serem escritas, do que lembrando que existia um mundo de verdade lá fora.

Giovanni tinha esquecido como era a vida em cores. O monocromático já havia a tanto tomado conta de sua vida, que fazia parte dela, e seria difícil imagina-la de uma outra forma se não o preto no branco. E a cor estava de volta aos seus olhos. Eles poderiam passar horas ali, num sofá esverdeado, falando sobre cinema ou a tonalidade das folhas – contanto que não tocassem no assunto Beatles, e até o silêncio, as vezes, constrangedor, era o melhor dos diálogos. Já passava das duas da manha, e Vicky se despediu de sua nova aquisição sentimental com uma promessa de um novo encontro no dia seguinte. Giovanni não conseguia entender. Em menos de 24 horas, alguém havia comprometido toda a sua perspectiva de tudo. Mas para ela, era tudo exatamente igual, e ele era só um mero personagem em sua trama ainda sem inicio e fim. Mesmo que ele não existisse, Vicky tinha convicção de que o criaria assim que seu bloqueio criativo passasse. Ela podia não saber, mas não estava mais tão imune a agentes exteriores,  e seu sistema imunológico logo estaria em baixa. Ela ainda não havia descoberto, mas achara ali, inspiração para toda a sua vida.

Passaram a se encontrar diariamente, das quatro a meia-noite. Ele havia voltado a filmar, e ela, voltado a viver. A queria como nunca quis se quer a si mesmo. Era como se fossem as duas metades de uma mesma pessoa, de uma forma que não mais existiriam sem o seu próprio conjunto. Mas ela era orgulhosa demais para admitir que quisesse estar ao seu lado. Não podiam se ter, mas se tinham o suficiente para encontrarem um estimulo a suas existências precárias. Queriam gritar ao mundo, e se calar de uma nova forma, por um segundo, o quanto se amavam, preparar o café da manha usando só uma camisa de botões e como tinham se descoberto num parâmetro incomparável de sentimentalismo arcaico. Ninguém cederia. O tédio permaneceria entre uma tragédia e um gole de café. E era tédio, de qualquer forma. Mas a dois, sempre seria mais interessante. Com as frases de Vicky e a cenas de Giovanni, estaria ali um filme perfeito, se alguém se propusesse a o realizar.

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Os Strokes estão de volta!

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Eu nunca fiquei tão feliz em admitir que estivesse errada. Mas para a felicidade dos ouvintes da boa música, o quinteto nova-iorquino está em estúdio (e dessa vez não é blábláblá), gravando o seu quarto disco. Os músicos já andam dando entrevistas empolgadas, a página oficial da banda traz um empolgante “Recording” e todos parecem estar bem animados com o retorno do The Strokes. Pra saciar um pouco a  nossa curiosidade,até disponibilizaram um vídeo em estúdio na internet. Por pouco, parece até que podemos dar palpites nas composições, nos arranjos, e nas típicas brincadeiras por alguns minutos. Pode não ser muito, mas é o bastante para deixar os fãs em estado de êxtase, e esperando mais que nunca, que o disco realmente saia esse ano. Estaremos torcendo! ;)

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Demissão em massa

Preciso de novos funcionários se quiser continuar funcionando no mesmo ritmo convencional. Há mais de uma década eles não têm uma folga sequer. E não os darei direito a aviso prévio, fundo de garantia, décimo terceiro ou seguro desemprego. Não param fins de semana ou feriados, mas dificilmente darei o braço a torcer. Não tenho culpa da incompetência alheia. Que arquem com a própria improdutividade, que comam brioche. Porque não fazem uma greve ou planejam uma revolução? Saqueiem o palácio do rei, enforquem os soldados traidores, tomem o poder com um golpe militar. Nunca pensei que eles fossem me decepcionar tanto. Porque o meu roteirista imaginário não tem reviravoltas como as do Almodóvar, um pôr-do-sol enquadrado por uma janela, um final revelador, surpreendente? Onde está a minha trilha sonora, a minha aurora, ou a minha hora, que os ponteiros esquecem de levar? Consumiram minhas frases de impacto, minhas piadas esgotadas, os livros estão corroídos, e um deles se quer pensou no final clichê para substituir a solução intragável que lá aticei. Os meus heróis, que nunca existiram, os meus curtas-metragens, tão longos, tão longe, que não passam de um vulto, atingido por um bombardeio no mar. Porque não mandam alguém negociar a divida interna, ou fazer uma analise sucinta dos períodos inúteis que venho a declarar? Enquanto nada muda, a produção continua escassa. Eles não vão mendigar socorro, talvez peçam a mim um resgate, mas infelizmente, eu não poderei afortunar.  Falta criatividade, falta sensibilidade. Alguém precisa colocar as máquinas no lugar.

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Carcaça

Esboce um sorriso nesse rosto
Tire a camisa rasgada
Esqueça a velha carcaça
Em um canto qualquer.
É pesada,
Não serve pra mais nada
E é um grande desgosto
Te ver assim,
Se divertindo tanto,
Com o balançar de um corpo
Como se ao menos
Não importasse a mim

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posted by Nina R. in Música and have Comments (9)

Bom Brasileiro

O brasileiro é um ser conformado. Senta a bunda gorda em frente a televisão e não faz nada para interferir em nenhum tipo de mudança. Preguiçoso por natureza, prefere ignorar o caos que o ronda e ser alienado ao achar que está tudo sempre bem. Coloca a culpa de todos os problemas no sistema ou no governo, mas é incapaz de recolher o próprio lixo que produz. A indiferença e o descaso com o outro está em toda esquina, porque para o brasileiro é mais fácil negar um “bom dia” do que um pedaço de pão. O brasileiro é hipócrita. Contradiz os seus próprios princípios, quando estes existem, faz pouco caso da violência e corrupção, como se fosse tudo muito normal. Banaliza, canta palavras de baixo calão, mas se escandaliza com pouca roupa fora de época de carnaval. Orgulha-se de não ler livros, de não produzir, de não fazer nada. É uma realidade lamentável, mas poucos são os que realmente enxergam ou admitem a mediocridade que nos envolve e fazemos parte a todo instante. Se mudarmos a postura indiferente e egoísta para verdadeiros cidadãos socialmente, culturalmente e politicamente ativos, somos capazes de alguma metamorfose massiva, ou de uma revolução qualquer? Vai saber… Ser brasileiro não é só contribuir para o produto interno bruto.

O brasileiro é um ser conformado. Senta a bunda gorda em frente a televisão e não faz nada para interferir em nenhum tipo de mudança. Preguiçoso por natureza, prefere ignorar o caos que o ronda e ser alienado ao achar que está tudo sempre bem. Coloca a culpa de todos os problemas no sistema ou no governo, mas é incapaz de recolher o próprio lixo que produz. A indiferença e o descaso com o outro está em toda esquina, porque para o brasileiro é mais fácil negar um “bom dia” do que um pedaço de pão. O brasileiro é hipócrita. Contradiz os seus próprios princípios, quando esses existem, faz pouco caso da violência e corrupção, como se fosse tudo muito normal. Banaliza, canta palavras de baixo calão, mas se escandaliza com pouca roupa fora de época de carnaval. Orgulha-se de não ler livros, de não produzir, de não fazer nada. É uma realidade lamentável, mas poucos são os que realmente enxergam ou admitem a mediocridade que nos envolve e fazemos parte a todo instante. Se mudarmos a postura indiferente e egoísta para verdadeiros cidadãos socialmente, culturalmente e politicamente ativos, somos capazes de alguma metamorfose massiva, ou de uma revolução qualquer? Vai saber… Ser brasileiro não é só contribuir para o produto interno bruto.

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Frustração

Queria revolucionar alguma coisa, fazer uma pouca diferença, ser capaz de mudar opiniões. Pregar a paz não armada, libertar um país da ditadura, estabelecer um acordo milagroso que salve o planeta do aquecimento global ou da chuva ácida. Queria cercar uma árvore prestes a ser derrubada, e deixa-la intacta por mais um século, impedir um assalto, doar um dos rins para alguém a beira de um colapso. Queria escrever um livro banal e ganhar um Nobel, descobrir a cura da aids, abrigar inimigos do estado em minha casa, reinar uma ilha de um homem só, poder falar de amor sem falar de dor, fuzilar hipócritas com uma arma de guerra, criar uma ideologia onde não há contradição. Mobilizar insensíveis, escrever uma  boa poesia que um dia se torne música, fazer roteiros com reviravoltas inimagináveis, um filme sobre um desconhecido, registrar em um papel cada sorriso. Queria dar um abraço do qual jamais me soltaria, decretar o fim das regras, o fim da solidão, poder mostrar aos cegos, gritar aos surdos, a minha tamanha indignação. Mas estou aqui. Tudo que posso fazer é estourar meus tímpanos.

Queria revolucionar alguma coisa, fazer uma pouca diferença, ser capaz de mudar opiniões. Pregar a paz não armada, libertar um país da ditadura, estabelecer um acordo milagroso que salve o planeta do aquecimento global ou da chuva ácida. Queria cercar uma árvore prestes a ser derrubada, e deixa-la intacta por mais um século, impedir um assalto, doar um dos rins para alguém a beira de um colapso. Queria escrever um livro banal e ganhar um Nobel, descobrir a cura da aids, abrigar inimigos do estado em minha casa, reinar uma ilha de um homem só, poder falar de amor sem falar de dor, fuzilar hipócritas com uma arma de guerra, criar uma ideologia onde não há contradição. Mobilizar insensíveis, escrever uma  boa poesia que um dia se torne música, fazer roteiros com reviravoltas inimagináveis, um filme sobre um desconhecido, registrar em um papel cada sorriso. Queria dar um abraço do qual jamais me soltaria, decretar o fim das regras, o fim da solidão, poder mostrar aos cegos, gritar aos surdos, a minha tamanha indignação. Mas estou aqui. Tudo que posso fazer é estourar meus tímpanos.

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