And the winner is…

Difícil adivinhar quem serão os vencedores do Oscar, que acontece no próximo domingo, 7 de março. Mas os posters retrô de alguns indicados, feitos pelo designer Travis Coburn, são sem dúvida a versão mais  bonita e criativa dos possíveis premiados pela Academia.

Tavis_Coburn_BAFTA_Up-In-The-Air

Tavis_Coburn_BAFTA_AnEducation

Tavis_Coburn_BAFTA_Precious

Tavis_Coburn_BAFTA_Hurt_Locker
Tavis_Coburn_BAFTA_Avatar

Bonitos, né? Só faltou mesmo o de Bastardos Inglórios – diz a fã esperançosa que ainda acha que Quentin Tarantino pode ser premiado.

(Via Itubaína Retrô)

Primeiros-socorros

20080604071258

Já não me interessa a sua família
Seus vícios, sua obsessão doentia
Já não me importa
Os seus restos corroídos
Que despencam, à medida que você passa
Não me fere o quão seja doido
Não me atinge se está ou não ferido
Os meus primeiros-socorros já foram gastos
E eu não mais escuto aos seus lamentos
Por mais que você já esteja assim…
Calado.

Posted in Etc

Lonely Hearts Club Band

Giovanni se isolava, passando seus dias em busca de um roteiro qualquer que o tirasse da mediocridade e miséria que se perpetuava. Seu nome ainda era adorado por aqueles que tinham esquecido seus fracassos em preto e branco e guardavam a copia exemplar da única coisa que fizera que o trouxesse algum orgulho. Seu copo, sempre meio vazio, e ele, sempre meio acabado. Mas precisava daquilo. Enquanto estava com a câmera na mão, poderia tomar o rumo que quisesse, ao contrario de sua própria realidade. Nada o faria superar seus romances perdidos nos sets de filmagem e os cheques sem fundo que voltavam no dia 12 de cada mês. Não era uma questão de tempo, e sua criação estava proporcionalmente ligada a sua destruição, que aos poucos, se agravava cada vez mais. A criatividade requer coragem. Ele sabia disso, mas insistia em não colaborar. As únicas jornadas de Giovanni fora de casa eram buscas por cervejas e cigarros. Já passava das 11 numa noite de quinta e a cidade já estava fechada para balanço. O mercado mais próximo num raio de 5 km estava a dois quarteirões que pareciam estar mais distantes em cada passo tomado. Ele queria registrar cada carro que passava, cada barulho que ouvia, cada prego em que pisava. Mas seria tudo mediocremente igual. O cotidiano já não atraia a mais ninguém, e só aumentaria a profundidade do seu afogamento decadente. Chegou ao mercado. A moça no balcão perguntou se levaria o de sempre.  Em um tom seco, disse que essa noite, sua única companhia seriam os cigarros.  Retornava então a sua odisséia noturna. Os anéis de fumaça o acompanhavam e dialogavam em silencio. Giovanni não dormia há três dias, mas nunca estava realmente acordado. Dependia de comprimidos deixados pela ex-mulher para as três ou quatro horas de sono. Não era suficiente. Nada era o bastante. Precisava de algo que não sabia o que era. A busca por algo desconhecido logo se tornara uma obsessão, e sua única vitima era si mesmo. O seu pior erro era ter medo demais de cometer um. Giovanni estava sufocado. Precisava fugir da monotonia. Sua vida era uma prisão, e ele mesmo era o policial encarregado de sua cela que, ignorantemente, não se permitia nem o banho de sol. Precisava do impulso para a imaginação. Desesperado e sem esperanças, se vencia aos poucos ao vagar por ruas vazias em busca de inspiração, embora soubesse que a chance de encontrá-la era menor que o saldo em sua conta corrente. Cada minuto parecia se estender a eternidade e nada prendia sua atenção. Giovanni precisava de uma amante constante, embora não quisesse admitir. Alguém que passasse a madrugada de terça para quarta em sua casa e fosse embora sem arrumar a cama não era mais suficiente. Foi numa manhã nublada de segunda, em busca do expresso perfeito que as pupilas de Giovanni se dilataram. Poderia ser o cansaço, mas de certo modo, ele havia esperado a vida toda para encontrar aquele certo alguém. Mas a aproximação, tantas vezes filmada, nunca sairia da forma que tanto almejou. Os dias que se arrastavam pelo calendário, depois daquele momento passariam em uma velocidade surpreendente. O mundo parecia ter parado. Pela primeira vez, Giovanni não sabia o que realmente fazer. A mulher parada na livraria era agradável aos olhos de Giovanni e tinha um álbum dos Beatles em suas mãos. Parecia conversar consigo mesma, discutindo com o seu ego a genialidade de Lennon ou de McCartney. Giovanni aos poucos se aproximava com seu café na mão. Tudo e nada poderia acontecer ao mesmo tempo. O nervosismo o fazia tremer e soltar frases estúpidas continuamente.
- Não gosto dos Beatles. Comerciais demais.
Ela simplesmente o ignorou e continuou prestando atenção em seus discos enquanto desviava daquele cara intrometido e com péssimo gosto musical. Não passava por sua cabeça como alguém poderia não gostar daquilo que ela mais amava, depois de si mesma. Giovanni não desistiria fácil. Ele continuou a observá-la, fria e arrogante, indiferente a tudo que a rodeava.
- Meu nome é Giovanni. Posso te pagar uma bebida?
Ela respirou fundo antes de dizer qualquer coisa. A única palavra que ele até então escutaria de sua boca seria um não, engolido a seco. Se Giovanni não tivesse esbarrado acidentalmente e derrubado o café em sua blusa nova, seria aquela a ultima e única vez que se viram.
- Você é um babaca.
Giovanni logo tirou sua jaqueta e a entregou, com a intenção de esconder o estrago que tinha feito. Ela só arrancou a jaqueta de sua mão e saiu enfurecida. Ele não se surpreendeu. Já estava acostumado a fazer tudo errado. Alem da jaqueta, teria que dormir sem a oportunidade de te-la.  Conformado com o fracasso, Giovanni voltou ao seu cativeiro, como se tivesse articulado uma fuga impressionante e logo após de realizada, teria se arrependido de seu feito. Quanto mais o desprezasse, mais a desejaria. Aquela imagem não abandonava sua mente, e de certa forma, ele gostava. Não sabia se a veria novamente, mas a simples possibilidade era empolgante e suficiente para fazê-lo vencer o relógio. Não foi preciso que dormisse para que a encontrasse em um sonho bizarro. A campainha tocou logo pela noite, enquanto Giovanni resmungava vestindo uma camiseta qualquer pra atender a porta. Esfregou bastante os olhos ao abri-la e deparar-se com a imagem que o perseguiu durante todo aquele dia. Não sabia como, mas ela realmente estava lá.
- Desculpe-me, não tive um bom dia. Obrigada pela jaqueta. O convite de mais cedo ainda está de pé?
Aquelas palavras caíram como bombas na cabeça de Giovanni, e embora tenha demorado a processá-las, logo a convidou para entrar.
Vicky era uma escritora medíocre em busca desesperada de publicar seu primeiro livro. Seu desprezo por tudo e por todos camuflava a sua insegurança, que a tornava uma pessoa frágil embora sempre aparentasse o contrario. Não havia alguém egocêntrico como ela. Sacrificaria qualquer coisa para conseguir o que queria, mesmo se nem soubesse o que era. Ela era seu assunto favorito, mas Giovanni não importava de escutá-la por horas, contanto que pudesse olhar fixamente em seus olhos claros e os lábios realçados pelo batom exótico. Já Vicky o via como uma válvula de escape, a sua conexão com o mundo, já que passava mais tempo agrupando palavras sem nexo em frases idiotas, que eram apagadas logo após serem escritas, do que lembrando que existia um mundo de verdade lá fora.
Giovanni tinha esquecido como era a vida em cores. O monocromático já havia a tanto tomado conta de sua vida, que fazia parte dela, e seria difícil imagina-la de uma outra forma se não o preto no branco. E a cor estava de volta aos seus olhos. Eles poderiam passar horas ali, num sofá esverdeado, falando sobre cinema ou a tonalidade das folhas – contanto que não tocassem no assunto Beatles, e até o silêncio, as vezes, constrangedor, era o melhor dos diálogos. Já passava das duas da manha, e Vicky se despediu de sua nova aquisição sentimental com uma promessa de um novo encontro no dia seguinte. Giovanni não conseguia entender. Em menos de 24 horas, alguém havia comprometido toda a sua perspectiva de tudo. Mas para ela, era tudo exatamente igual, e ele era só um mero personagem em sua trama ainda sem inicio e fim. Mesmo que ele não existisse, Vicky tinha convicção de que o criaria assim que seu bloqueio criativo passasse. Ela podia não saber, mas não estava mais tão imune a agentes exteriores,  e seu sistema imunológico logo estaria em baixa. Ela ainda não havia descoberto, mas achara ali, inspiração para toda a sua vida.
Passaram a se encontrar diariamente, das quatro a meia-noite. Ele havia voltado a filmar, e ela, voltado a viver. A queria como nunca quis se quer a si mesmo. Era como se fossem as duas metades de uma mesma pessoa, de uma forma que não mais existiriam sem o seu próprio conjunto. Mas ela era orgulhosa demais para admitir que quisesse estar ao seu lado. Não podiam se ter, mas se tinham o suficiente para encontrarem um estimulo a suas existências precárias. Queriam gritar ao mundo, e se calar de uma nova forma, por um segundo, o quanto se amavam, preparar o café da manha usando só uma camisa de botões e como tinham se descoberto num parâmetro incomparável de sentimentalismo arcaico. Ninguém cederia. O tédio permaneceria entre uma tragédia e um gole de café. E era tédio, de qualquer forma. Mas a dois, sempre seria mais interessante. Com as frases de Vicky e a cenas de Giovanni, estaria ali um filme perfeito, se alguém se propusesse a o realizar.

Giovanni se isolava, passando seus dias em busca de um roteiro qualquer que o tirasse da mediocridade e miséria que se perpetuava. Seu nome ainda era adorado por aqueles que tinham esquecido seus fracassos em preto e branco e guardavam a copia exemplar da única coisa que fizera que o trouxesse algum orgulho. Seu copo, sempre meio vazio, e ele, sempre meio acabado. Mas precisava daquilo. Enquanto estava com a câmera na mão, poderia tomar o rumo que quisesse, ao contrario de sua própria realidade. Nada o faria superar seus romances perdidos nos sets de filmagem e os cheques sem fundo que voltavam no dia 12 de cada mês. Não era uma questão de tempo, e sua criação estava proporcionalmente ligada a sua destruição, que aos poucos, se agravava cada vez mais. A criatividade requer coragem. Ele sabia disso, mas insistia em não colaborar. As únicas jornadas de Giovanni fora de casa eram buscas por cervejas e cigarros. Já passava das 11 numa noite de quinta e a cidade já estava fechada para balanço. O mercado mais próximo num raio de 5 km estava a dois quarteirões que pareciam estar mais distantes em cada passo tomado. Ele queria registrar cada carro que passava, cada barulho que ouvia, cada prego em que pisava. Mas seria tudo mediocremente igual. O cotidiano já não atraia a mais ninguém, e só aumentaria a profundidade do seu afogamento decadente. Chegou ao mercado. A moça no balcão perguntou se levaria o de sempre.  Em um tom seco, disse que essa noite, sua única companhia seriam os cigarros.  Retornava então a sua odisséia noturna. Os anéis de fumaça o acompanhavam e dialogavam em silencio. Giovanni não dormia há três dias, mas nunca estava realmente acordado. Dependia de comprimidos deixados pela ex-mulher para as três ou quatro horas de sono. Não era suficiente. Nada era o bastante. Precisava de algo que não sabia o que era. A busca por algo desconhecido logo se tornara uma obsessão, e sua única vitima era si mesmo. O seu pior erro era ter medo demais de cometer um. Giovanni estava sufocado. Precisava fugir da monotonia. Sua vida era uma prisão, e ele mesmo era o policial encarregado de sua cela que, ignorantemente, não se permitia nem o banho de sol. Precisava do impulso para a imaginação. Desesperado e sem esperanças, se vencia aos poucos ao vagar por ruas vazias em busca de inspiração, embora soubesse que a chance de encontrá-la era menor que o saldo em sua conta corrente. Cada minuto parecia se estender a eternidade e nada prendia sua atenção. Giovanni precisava de uma amante constante, embora não quisesse admitir. Alguém que passasse a madrugada de terça para quarta em sua casa e fosse embora sem arrumar a cama não era mais suficiente. Foi numa manhã nublada de segunda, em busca do expresso perfeito que as pupilas de Giovanni se dilataram. Poderia ser o cansaço, mas de certo modo, ele havia esperado a vida toda para encontrar aquele certo alguém. Mas a aproximação, tantas vezes filmada, nunca sairia da forma que tanto almejou. Os dias que se arrastavam pelo calendário, depois daquele momento passariam em uma velocidade surpreendente. O mundo parecia ter parado. Pela primeira vez, Giovanni não sabia o que realmente fazer. A mulher parada na livraria era agradável aos olhos de Giovanni e tinha um álbum dos Beatles em suas mãos. Parecia conversar consigo mesma, discutindo com o seu ego a genialidade de Lennon ou de McCartney. Giovanni aos poucos se aproximava com seu café na mão. Tudo e nada poderia acontecer ao mesmo tempo. O nervosismo o fazia tremer e soltar frases estúpidas continuamente.

- Não gosto dos Beatles. Comerciais demais.

Ela simplesmente o ignorou e continuou prestando atenção em seus discos enquanto desviava daquele cara intrometido e com péssimo gosto musical. Não passava por sua cabeça como alguém poderia não gostar daquilo que ela mais amava, depois de si mesma. Giovanni não desistiria fácil. Ele continuou a observá-la, fria e arrogante, indiferente a tudo que a rodeava.

- Meu nome é Giovanni. Posso te pagar uma bebida?

Ela respirou fundo antes de dizer qualquer coisa. A única palavra que ele até então escutaria de sua boca seria um não, engolido a seco. Se Giovanni não tivesse esbarrado acidentalmente e derrubado o café em sua blusa nova, seria aquela a ultima e única vez que se viram.

- Você é um babaca.

Giovanni logo tirou sua jaqueta e a entregou, com a intenção de esconder o estrago que tinha feito. Ela só arrancou a jaqueta de sua mão e saiu enfurecida. Ele não se surpreendeu. Já estava acostumado a fazer tudo errado. Alem da jaqueta, teria que dormir sem a oportunidade de te-la.  Conformado com o fracasso, Giovanni voltou ao seu cativeiro, como se tivesse articulado uma fuga impressionante e logo após de realizada, teria se arrependido de seu feito. Quanto mais o desprezasse, mais a desejaria. Aquela imagem não abandonava sua mente, e de certa forma, ele gostava. Não sabia se a veria novamente, mas a simples possibilidade era empolgante e suficiente para fazê-lo vencer o relógio. Não foi preciso que dormisse para que a encontrasse em um sonho bizarro. A campainha tocou logo pela noite, enquanto Giovanni resmungava vestindo uma camiseta qualquer pra atender a porta. Esfregou bastante os olhos ao abri-la e deparar-se com a imagem que o perseguiu durante todo aquele dia. Não sabia como, mas ela realmente estava lá.

- Desculpe-me, não tive um bom dia. Obrigada pela jaqueta. O convite de mais cedo ainda está de pé?

Aquelas palavras caíram como bombas na cabeça de Giovanni, e embora tenha demorado a processá-las, logo a convidou para entrar.

Vicky era uma escritora medíocre em busca desesperada de publicar seu primeiro livro. Seu desprezo por tudo e por todos camuflava a sua insegurança, que a tornava uma pessoa frágil embora sempre aparentasse o contrario. Não havia alguém egocêntrico como ela. Sacrificaria qualquer coisa para conseguir o que queria, mesmo se nem soubesse o que era. Ela era seu assunto favorito, mas Giovanni não importava de escutá-la por horas, contanto que pudesse olhar fixamente em seus olhos claros e os lábios realçados pelo batom exótico. Já Vicky o via como uma válvula de escape, a sua conexão com o mundo, já que passava mais tempo agrupando palavras sem nexo em frases idiotas, que eram apagadas logo após serem escritas, do que lembrando que existia um mundo de verdade lá fora.

Giovanni tinha esquecido como era a vida em cores. O monocromático já havia a tanto tomado conta de sua vida, que fazia parte dela, e seria difícil imagina-la de uma outra forma se não o preto no branco. E a cor estava de volta aos seus olhos. Eles poderiam passar horas ali, num sofá esverdeado, falando sobre cinema ou a tonalidade das folhas – contanto que não tocassem no assunto Beatles, e até o silêncio, as vezes, constrangedor, era o melhor dos diálogos. Já passava das duas da manha, e Vicky se despediu de sua nova aquisição sentimental com uma promessa de um novo encontro no dia seguinte. Giovanni não conseguia entender. Em menos de 24 horas, alguém havia comprometido toda a sua perspectiva de tudo. Mas para ela, era tudo exatamente igual, e ele era só um mero personagem em sua trama ainda sem inicio e fim. Mesmo que ele não existisse, Vicky tinha convicção de que o criaria assim que seu bloqueio criativo passasse. Ela podia não saber, mas não estava mais tão imune a agentes exteriores,  e seu sistema imunológico logo estaria em baixa. Ela ainda não havia descoberto, mas achara ali, inspiração para toda a sua vida.

Passaram a se encontrar diariamente, das quatro a meia-noite. Ele havia voltado a filmar, e ela, voltado a viver. A queria como nunca quis se quer a si mesmo. Era como se fossem as duas metades de uma mesma pessoa, de uma forma que não mais existiriam sem o seu próprio conjunto. Mas ela era orgulhosa demais para admitir que quisesse estar ao seu lado. Não podiam se ter, mas se tinham o suficiente para encontrarem um estimulo a suas existências precárias. Queriam gritar ao mundo, e se calar de uma nova forma, por um segundo, o quanto se amavam, preparar o café da manha usando só uma camisa de botões e como tinham se descoberto num parâmetro incomparável de sentimentalismo arcaico. Ninguém cederia. O tédio permaneceria entre uma tragédia e um gole de café. E era tédio, de qualquer forma. Mas a dois, sempre seria mais interessante. Com as frases de Vicky e a cenas de Giovanni, estaria ali um filme perfeito, se alguém se propusesse a o realizar.

tumblr_kwcessiEZ91qzrr0co1_500_large