Como sobreviver a vôos

Sempre escolha o assento próximo à janela. Alguém certamente te pedirá para ceder o lugar – quem não gosta de se sentir potente, ao se ver passando bem acima de quem um dia te sacaneou, mas hoje sequer lembra do seu existir? Responda o que lhe calhar bem e julgue pelas aparências: algumas pessoas não têm o precioso dom de respeitar espaços, e vão sempre trombar seu cotovelo horroroso quando você estiver no ultimo gole do suco artificial com três pedras de gelo que você tanto estimou durante todo o serviço de bordo. Encha o seu bolso de todos os tipos de bala que te oferecem. Podem ser uma excelente arma de suborno para o pirralho de trás que há duas horas acha que a sua poltrona reclinável – que só não é mais dura que você – é um saco de pontapés. Abuse da boa vontade. Aperte todos os botões, acenda todas as luzes. Forje um ataque de pânico ou comece a cantarolar. Atire a revista da companhia aérea dentro da bolsa, mesmo não sabendo para que servirá. Mastigue um pedaço do lanche de plástico, esconda-o no saco de vômito e diga ter tido o seu melhor jantar da ultima década. Pergunte se não coam café, como adoçam o suco, ou se tem um chuveiro no projeto de banheiro. Faça do colega ao lado seu melhor amigo de infância. Conte-o todos seus problemas e seus piores segredos. Ele esquecerá de você logo após o avião pousar. Fale do seu chefe inconveniente e da sua vizinha eloqüente, e só depois se certifique se eles têm alguma ligação familiar. Será sua única companhia nas próximas escalas, então se gabe dos seus feitos, suas vantagens irrelevantes, mostre de relance os defeitos. Os relacionamentos são descartáveis e sem efeitos, portanto não se esqueça de nunca passar o número do seu celular. Tudo é banal, e quando minúsculas e insignificantes cidades desaparecem em um estante, quase devoradas pelo ar, não há nada consistente o suficiente que valha realmente a pena se apegar.

tumblr_kwpzstCEkj1qz6i2xo1_500_largeSempre escolha o assento próximo à  janela. Alguém certamente te pedirá para  ceder o lugar – quem não gosta de se sentir  potente, ao se ver passando bem acima de  quem um dia te sacaneou, mas hoje sequer  lembra do seu existir? Responda o que lhe  calhar bem e julgue pelas aparências:  algumas pessoas não têm o precioso dom  de respeitar espaços, e vão sempre  trombar seu cotovelo horroroso quando você estiver no ultimo gole do suco artificial com três pedras de gelo que você tanto estimou durante todo o serviço de bordo. Encha o seu bolso de todos os tipos de bala que te oferecem. Podem ser uma excelente arma de suborno para o pirralho de trás que há duas horas acha que a sua poltrona reclinável – que só não é mais dura que você – é um saco de pontapés. Abuse da boa vontade. Aperte todos os botões, acenda todas as luzes. Forje um ataque de pânico ou comece a cantarolar. Atire a revista da companhia aérea dentro da bolsa, mesmo não sabendo para que servirá. Mastigue um pedaço do lanche de plástico, esconda-o no saco de vômito e diga ter tido o seu melhor jantar da ultima década. Pergunte se não coam café, como adoçam o suco, ou se tem um chuveiro no projeto de banheiro. Faça do colega ao lado seu melhor amigo de infância. Conte-o todos seus problemas e seus piores segredos. Ele esquecerá de você logo após o avião pousar. Fale do seu chefe inconveniente e da sua vizinha eloqüente, e só depois se certifique se eles têm alguma ligação familiar. Será sua única companhia nas próximas escalas, então se gabe dos seus feitos, suas vantagens irrelevantes, mostre de relance os defeitos. Os relacionamentos são descartáveis e sem efeitos, portanto não se esqueça de nunca passar o número do seu celular. Tudo é banal, e quando minúsculas e insignificantes cidades desaparecem em um instante, quase devoradas pelo ar, não há nada consistente o suficiente que valha realmente a pena se apegar.

Sean Lennon

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Imagine se você fosse músico, e seu pai fosse Keith Moon, Angus Young ou Freddie Mercury. Ok, desconsideremos a última possibilidade. Nem sempre carregar um sobrenome famoso pode ser uma vantagem. Além da pressão da mídia, vai ter sempre aqueles chatos “será que o talento é herança genética”. Não é o que acontece com o filho do beatle John, Sean Lennon. Filho de John e Yoko Ono (e nascido exatamente no mesmo dia que seu pai) é compositor, escritor, e até no cinema ele já se meteu. Apesar das comparações inevitáveis com os pais, os traços de Sean não negam nem um pouco o quanto de seu pai que carrega consigo. Sean pode não ter o carisma do pai ou a ousadia da mãe, mas com seu álbum solo lançado em 2006 Friendly Fire – que é trilha sonora do filme homônimo em que também atua – e canções avulsas lançadas pelo seu site, chama atenção pelas letras melancólicas entre o violão e baixo que acompanham a voz rouca do mais novo dos Lennons. Sean ainda trabalhou com o guitarrista do The Strokes, Albert Hammond Jr, em seu álbum de estréia, e tem em seu currículo parcerias com Mark Ronson e shows com o mutante Arnaldo Baptista. É bom ficar de olhos – e ouvidos – abertos, porque não há dúvidas de que qualidade, talento e oportunidades não faltam para o rapaz.

Mania de repetição

Às vezes dá até pra confundir pessoas com discos arranhados ou papagaios de pirata no ombro repetindo sempre as mesmas palavras. Fazem sempre as mesmas coisas, encontram sempre as mesmas pessoas. Pedem os mesmos pratos ou fazem as mesmas ligações, assistem aos mesmos filmes, escutam as mesmas músicas, entoam as mesmas perguntas. Assinam as mesmas revistas, buscam as mesmas respostas, freqüentam os mesmos lugares, dão os mesmos beijos ou forjam os mesmos abraços. Ninguém ousa quebrar a rotina. Porque torna-la tão massacrante se pode ser tão agradável? Sair do círculo da mesmice, correr riscos. Pra que? A gente se inverte, se diverte. Mas sempre se repete. As represálias, as falas, as gravatas e o tipo do sorvete. Porque não arriscar? Detalhes podem ser um tanto quanto insignificantes, mas o shuffle de vez enquanto não é tão aterrorizante como aparenta ser. E não é do modelo de Ipod que tô falando.