Torradas Tostadas

Archive for Dezembro, 2009

Resoluções de Ano Novo

Cumprir o que não pude prometer. Pentear o cabelo com mais freqüência, falar menos palavrões e não desejar a morte de meus professores.

2010

Que todos bebamos da fonte e que ela seja, de preferência, de pêssego ou laranja dos cházinhos da sinceridade, tranqüilidade, criatividade… E muita paciência.  Um bom 2010. Sem dramas, sem euforias, sem tragédias, sem crises existenciais econômicas, tropas americanas no Iraque,  continuações de “Se eu fosse você” e sem discos novos da banda Cine e derivados. Feliz ano novo :)

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1 ano

É claro que quando começamos algum projeto, o que mais queremos é que ele dê certo. Mas quando abri uma página, toda branca e sem graça no Wordpress, nem imaginava que um ano depois, eu teria tido o retorno incrível que tive durante esse um ano de blog. Foram 153 posts e 1.175 comentários. E poucas coisas são tão gratificantes como entrar e ler que alguém além da minha mãe (beijo mãe) gostou do post, do vídeo, da playlist, dos dramas, e das bobagens. Muita gente não se interessa, tem preguiça de ler, ou estão sempre com pressa ou ocupadas pra prestar atencao em alguém. É muito bom saber que existem pessoas, ainda que poucas, que param por dois ou três minutos por aqui. Soa completamente egoísta, mas na verdade, sem o feedback de vocês eu já tinha abandonado o barco há tempos e só cabe a mim agradecer. E relativamente, o blog ainda é um bebê, e espero que vocês continuem a acompanhar seu crescimento e a trocar as fraldas, darem broncas e adularem um pouco  de vez enquanto. E muito obrigada de coração! O “aniversário” é mais de vocês do que do blog em si. Valeu mesmo ;)

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Beijos e feliz ano novo!

Nina

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Sobre Escrever

Se não pelo começo, por onde iniciar? Clichês me agradam, banalidades me surpreendem. Não é preciso frases elaboradas ou construções épicas, um deus qualquer para inspiração, ou horas no exercício de observar pequenas insignificâncias. A única certeza é a de que a satisfação só chegará com a exaustão. E a exaustão só amenizará a decepção pelas construções não terem saído como planejadas. Mas nenhum engenheiro articularia bem onde melhor se adaptaria a colocação dos verbos ou dos substantivos abstratos. Não está em ouvir boas musicas, assistir aos grandes clássicos do cinema ou ignorar as besteiras transmitidas pela televisão. Não faz diferença se está nas linhas pretas ou azuis esperando ansiosamente para conceber palavras, na página despautada que se constituirá de linhas desajeitadas, tortas ou na tela em branco, refletindo no olhar o brilho azulado da janela recém-aberta. A rotina massante ou no constante perigo. A surpresa ou a repressão. Não. Nada disso importa. Não faz diferença se suas frases de impacto forem proliferadas para um exercito de um homem só ou uma multidão de cabeças vazias. Não faz diferença se suas palavras ordenadas estiverem em lugar privilegiado da prateleira dos mais vendidos ou no fundo de uma gaveta, completamente esquecidas. Nada disso importa. Não importa suas influencias, muito menos os seus livros favoritos ou os folhetins diários que acompanham o seu café matinal. Não precisa colocar suas visões, suas ideologias, suas falsas moralidades, sua educação ou sua cordialidade para preencher um parágrafo até chegar à décima quarta linha. Não os empanturre de fatos anormais ou de teorias modernas sem graça sobre o fim do mundo ou sobre o próximo final de semana. Nem todo mundo quer degustar. Alguns querem só ficar saciados do nada, ou regurgitar suas conclusões em suas caras. Querem cuspir sobre o seu prato e vomitar as suas verdades. Não pense que o seu cardápio é único e exclusivo. Você não vai mudar o mundo com sua sobremesa fluorescente ou uma dissertação sobre os pardais. Nem todo mundo vai se apaixonar pelo que você diz, ou pelo que você pretende ser, mas isso não fará diferença para você. Porque nada faz. O que importa não está no que você sente, no que você faz, ou no que você mente. A única coisa que interessa é o que você coloca entre o espaço do primeiro parágrafo e o ultimo ponto final. O resto, tanto faz.
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Balanço: 2009 no Cinema

Sim, o ano está acabando e se todo mundo faz aqueles balanços chatos, porque não eu? Mas, comemore. Este não será um post massacrador sobre quem deixou de fazer notícia, as bandas que apareceram e sumiram no ano ou sobre as inúmeras pseudo-celebridades que brotaram em 2009 que nem erva daninha. Apesar da crise e da perda de grandes atores e diretores, esse foi um bom ano para o cinema. Desde James Cameron a Quentin Tarantino, indo as comédias esculachadas americanas e adaptações dos romances pré-adolescentes melados, teve espaço para (quase) todo mundo. Animações, filmes nacionais, dramas, romances, refilmagens e seqüências perambularam bastante pelas salas de cinema.

Nesse vídeo, 342 filmes, todos lançados esse ano, são exibidos ao longo de 7 minutos. Vale a pena ver e relembrar. Já fez sua lista dos favoritos? Quais foram os seus filmes amados e odiados, que surpreenderam ou que decepcionaram? E quem concordar que Bastardos Inglórios foi a melhor coisa de 2009, ganha um abraço. Mas é claro que eu não quero influenciar as respostas.

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Jantar

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O ano anterior se repetia. Só o foco da atenção que havia se invertido. Ela já não se esforçava em impressionar ou parecer mais interessante. Durante o tempo que não se viram, percebeu que não precisava disso, e agora, só comprovava isto ainda mais. É impressionante como as coisas mudam de um ano para o outro. Ninguém diria que estariam ali, discutindo sobre o futuro, que ambos não tinham. Um sorriso forçado. O cenário era o mesmo, os papeis eram outros. Quem ditava então o ritmo daquela noite? Não havia ninguém para ordenar os papeis, posicionar o tempo ou os personagens. Não era de seus conhecimentos a profundidade (ou a falta dela) de seus papeis. Levariam mais do que semanas para descobrir suas respectivas superficialidades. Eram ambos tão egoístas ao ponto de poderem passar horas contando os seus feitos imaginários. Viajaram o mundo, formavam um casal requisitado nas mais celebres premiações, eram figuras indispensáveis em inúmeros festivais. O problema estava no excedente. Eram demais, queriam demais, amavam demais. Mentiam demais. E sem contar com o passar da madrugada, olhou as horas, desesperada. Estava tarde, todos estariam a sua espera. O remorso e o recomeço ficaram para o próximo ano.

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Feliz Natal

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No dia pseudo-cristão capitalista, liberte o Grinch que existe em você! Beijos.

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Querida, um beijo

Acordou atrasado. Deveria chegar as sete, mas as labutas da insônia resolveram cessar e permitiram poucas horas de sono. Era um homem de grande porte, seu olhar enganava e o seu andar era pouco torto. Quase sempre tinha pressa, embora raramente soubesse onde deveria chegar. “Eduardo, você está atrasado”. “Frase repetida, querida. O café ainda não está pronto? Por favor, trate de providenciar”. Júlia é como sua incansável ama, e não hesita em tentar de tudo para Eduardo não precisar de carinho em outros braços. Sabia que não funcionava, mas se recusava a crer. Ainda assim abriu uma conta poupança para canso de desgraça. Se Eduardo a deixasse, quem pagaria a conta do celular? A escassez seria inevitável, e é a razão de tanto esforço. Ficaram juntos desde cedo, o impulso da urgência da paixão os cegaram. Recusavam-se a enxergar com corações e admitir o erro precoce. “Qual o almoço de hoje, querida? Espero que não seja macarronada de novo. Não demore, tenho reunião logo as duas. Um beijo.” Um beijo irracional, frio e distante. Nem sempre o amor vem com o tempo. Ou vai. Júlia estava errada. Não é uma questão de dias ou de anos. Vem agora e nunca mais aparece. Mas precisava ir ao mercado comprar condimentos pra temperar o frango. Era sexta. Ou era sábado. Não importava. O arroz já estava no fogo. O peso de três décadas já corroia a face abatida de Júlia. A alface estava fresca. “Querida, não voltarei antes das onze, não me espere acordada.” “Porque vem tão tarde, Eduardo?” Um beijo distante, ameno e perturbante. Um beijo indiferente, de um Eduardo que não voltará.

Acordou atrasado. Deveria chegar as sete, mas as labutas da insônia resolveram cessar e permitiram poucas horas de sono. Era um homem de grande porte, seu olhar enganava e o seu andar era pouco torto. Quase sempre tinha pressa, embora raramente soubesse onde deveria chegar. “Eduardo, você está atrasado”. “Frase repetida, querida. O café ainda não está pronto? Por favor, trate de providenciar”. Júlia é como sua incansável ama, e não hesita em tentar de tudo para Eduardo não precisar de carinho em outros braços. Sabia que não funcionava, mas se recusava a crer. Ainda assim abriu uma conta poupança para canso de desgraça. Se Eduardo a deixasse, quem pagaria a conta do celular? A escassez seria inevitável, e é a razão de tanto esforço. Ficaram juntos desde cedo, o impulso da urgência da paixão os cegaram. Recusavam-se a enxergar com corações e admitir o erro precoce. “Qual o almoço de hoje, querida? Espero que não seja macarronada de novo. Não demore, tenho reunião logo as duas. Um beijo.” Um beijo irracional, frio e distante. Nem sempre o amor vem com o tempo. Ou vai. Júlia estava errada. Não é uma questão de dias ou de anos. Vem agora e nunca mais aparece. Mas precisava ir ao mercado comprar condimentos pra temperar o frango. Era sexta. Ou era sábado. Não importava. O arroz já estava no fogo. O peso de três décadas já corroia a face abatida de Júlia. A alface estava fresca. “Querida, não voltarei antes das onze, não me espere acordada.” “Porque vem tão tarde, Eduardo?” Um beijo distante, ameno e perturbante. Um beijo indiferente, de um Eduardo que não voltará.

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Mafalda

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27/10

Porque não me mandou uma carta ou uma mensagem vaga? Um breve telefonema, só sua voz basta, um e-mail automático ou um frio recado esquecido na caixa postal, logo após de ser escutado. Um sinal de fumaça, umas palavras perdidas em alguma garrafa, uma tentativa frustrada de rima fraca, um buquê de tulipas, um novo conjunto de taças. Não pedi por amor, por saudade ou por carinho, um parabéns vazio, um bom dia servia. Algumas letras deixadas em um qualquer cantinho… Quando se tem pouco, qualquer tantinho basta, mas o tempo passa, e não me pergunte o porquê.

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7/8

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7/8 de dias
derramados,
arrastados,
noite fria a dentro.
7/8 de dias
conjugados,
mal passados
expostos ao arrependimento.
7/8 de dias
aprofundados, afogados
condenados
massacrados,
por um só  tormento…

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