Bom mesmo seria se pudéssemos apagar algumas pessoas de nossas memórias, como se alguns momentos nunca existiram, e não precisássemos carregar tantas mágoas, tantos rancores. Bom mesmo seria se as pessoas não deixassem tantas lacunas vazias em nossas vidas, como se elas existissem apenas para nos completar e preencher espaços em branco. Bom mesmo seria se não precisássemos tanto do tal apego, não sofrêssemos tanto em silêncio, não déssemos tanto valor aos pequenos detalhes, as ações impulsivas, as promessas perdidas. E bom mesmo, seria se a verdade fosse só o que nos sujeitamos a selecionar, a acreditar, que a vida não seguisse um roteiro cronológico, que todos tivessem a chance de tentar, se as tramas não passassem de deslizes melancólicos, e se nenhum monólogo fosse tão solitário com um só a falar. Bom mesmo seria se todo brilho fosse eterno, se toda prece fosse ouvida, e toda graça, atendida. Bom mesmo seria se todos estivessem exatamente onde queríamos estar, esquecidos pelo mundo que nos esqueceu, pegando trens sem destino, perguntas impertinentes, e trocando simples sorrisos, com alguém que realmente quiséssemos nos lembrar.
