
- Moça, me vê dois chicletes de canela para disfarçar o gosto da solidão, do meu exílio, a amargura da minha negação. Sei que é o sabor favorito dela, embora não necessite de muito, já que a ganhei com um sorriso, e talvez, se preciso, um picolé de limão.
- Meu querido, só você não vê o que é preciso, a sua companhia já a trás inspiração! A exalta, em exstâse, amor, paixão, quase em combustão. Mesmo que distante, não duvide, conseguira um belo quarto, no mais nobre hotel de seu coração!


Recentemente, foi aprovado pelo Congresso, um novo vale: o vale cultura. Uma renda mensal para ser investida em livros, cinema e teatro. Mas acho que a medida deveria ser repensada. Ao invés de uma certa quantia destinada ao enriquecimento cultural, deveriam sortear ingressos para camarotes no Senado. Nosso poder legislativo é um verdadeiro show: mais selvagem do que No Limite, mais engraçado do que qualquer programa de humor, e mais rico em vocabulário do que qualquer Diogo Mainardi. Precisa de algo mais cultural do que isto? Seria uma ótima solução: ao invés dos “cangaceiros” gastarem seu precioso tempo inventando esquemas milionários para desvio de verba, embolsar o dinheiro diretamente seria muito mais prático. Certamente, o tempo livre seria muito bem aproveitado: faltaria o nariz de palhaço, e o circo estaria montado. O maior problema são mesmo os espectadores; até presidente tem no meio. Mas na verdade, ele só faz mesmo questão de marcar presença: não tem nada a ver com as escolhas que o povo faz, isso não é problema dele. Pois é, cada um tem o governo que merece. Palhaçadas à parte, enquanto as pessoas não enxergarem a piada que é a política nacional, o Congresso e o Senado vão continuar, entre uma viagem de Paris a Nova York (com o dinheiro público), rindo e aproveitando o descaso basileiro com seu próprio governo. Antes fosse uma piada ruim.




