Enquanto Danilo Gentili é acusado de racismo por fazer piada com jogador de futebol e King Kong… Suzana Vieira no Casseta e Planeta se veste de gorila. Bem, nem preciso falar, já é piada pronta.

Enquanto Danilo Gentili é acusado de racismo por fazer piada com jogador de futebol e King Kong… Suzana Vieira no Casseta e Planeta se veste de gorila. Bem, nem preciso falar, já é piada pronta.

O Greenpeace sempre lançou campanhas interessantes e chamativas para mobilizar as pessoas em prol do ambiente. A do Greenpeace Australia não é diferente, e ainda nos dá a chance de fazer uma pequena contribuição por um mundo um pouquinho melhor.
No Brasil, a caça de baleias já foi extinta (inclusive pela lei), mas a caça ilegal e desnecessária (e financiada pelo dinheiro público) no Japão continua. Clicando aqui, você faz sua baleia de origami e deixa uma mensagem para o primeiro ministro japonês. O ‘protesto’ já soma mais de 110.000 contribuintes já enfeitaram e colocaram suas baleias no oceano. Friedrich Edgar, minha baleia com um simpático bigode, já está no caminho marinho. É divertido e não custa nada ajudar. São pequenos detalhes que fazem a diferença (:

É bonito ver todo mundo exercendo cidadania, não é? Eu não acho.
É mais fácil mobilizar pessoas alienadas que de suas cadeiras confortáveis em frente a um computador do que fazê-los ir as ruas por uma causa da política nacional, e isso é indiscutível. Mas será que tais pessoas acham mesmo que seu apelo faz alguma diferença? Quando as pessoas realmente querem algo e vão a luta por tal causa, elas conseguem. Não que o movimento dos Caras Pintadas de 92 seja o melhor exemplo a ser dado, mas vide movimentos como a Revolução Mexicana, Irlandesa, Cubana e outros. De novo, não é o exemplo ideal, por terem alcançado seu objetivos através de forças armadas e ações violentas. No Brasil, o povo não tem voz porque eles não querem. E acham que são exemplos de cidadãos por proliferarem Internet a fora uma frase qualquer que não fará muita diferença e muito menos será capaz de derrubar um governamente corrupto. E protestar de tal forma não é suficiente, embora muitos achem que seja. Mudanças não vêm de ”posts de impacto” ou de influência da mídia, e de sim dos únicos que tem capacidade de reverter tal situação. A verdade é que a maioria dessas pessoas são indiferentes a tudo, e só estão participando desse ‘protesto’ porque há uma grande massa de gente participando, entre celebridades emergentes, sub-celebridades e afins. Se não vai protestar nas ruas, para que protestar na internet? Tem alguma coisa mais rídicula do que Ashton Kutcher ter que mostrar aos brasileiros que só eles podem mudar sua própria política? É, eu não acho.

Seria uma heresia
Se a minha própria imagem
Eu não fosse capaz de sustentar?
Cercada por romances mal-acabados
Amores efêmeros, eternizados
Destroços perdidos e despedaçados
Que eu não fosse capaz de encontrar?
Jogador acabado
Um perdedor, derrotas que o deixaram cansado
Imaginando como seria se um dia tivesse triunfado
A minha natureza não me deixa negar
Espero minha manhã de glória
Manipulando a minha própria história
Enquanto espero o próximo carregamento chegar
Ser filha de um diretor como Francis Ford Coppola realmente deve facilitar as coisas. Sofia Coppola pode não ser uma boa atriz ou a melhor cineasta do mundo, mas todos os seus filmes têm trilhas sonoras impecáveis, a começar por Virgens Suicidas. A trilha original é toda composta pelo duo francês Air, supera até mesmo o próprio filme, com a bonitinha Playground Love e outras como High School Lover. [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=8mQ4reLS8Lo]
O seu segundo e mais premiado filme, Encontros e Desencontros também não fica pra trás no quesito musical. Phoenix, My Bloody Valentine, e Air fazem parte da história do quase casal Bill Murray e Scarlett Johansson, além das cenas em que os personagens cantam de Nobody Does It Better, à God Save the Queen. Porém, a música que mais marca o filme, é Just Like Honey, do Jesus and Mary Chain, que encerra o longa de maneira única, nenhuma outra música se encaixaria tão bem no final do filme.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Iy3imeRZc0M]
O mais recente filme de Sofia Coppola, Maria Antonietta, sobre o casal símbolo do absolutismo francês, conta com, Siouxsie and The Baneshees, New Order, Bow Wow Wow e The Cure. Nada como correr pelo Palácio de Versailles com um cabelo a la Maria Antonietta com Strokes como plano de fundo.
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Copolla ainda dirigiu o polêmico clipe dos White Stripes, estrelando a modelo ex-Johnny Depp, ex-Pete Doherty e atual Jamie Hince, da dupla The Kills, Kate Moss.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=gp6A1KeXDC0]
Mau gosto musical é que não podemos falar que a Coppola tem. Enquanto isso vamos esperar pelo próximo projeto da Sofia, “Somewhere”, sem data para lançamento ainda, mas que certamente, não vai nos decepcionar em sua trilha sonora.
Não deveriam demolir casas. Um ou dois pavimentos, dois quartos e uma sala, garagem ampla e varanda com vista cinzenta para a realidade. Uma casa bem velha, logo na esquina, agora não é mais do que quatro paredes e incômodo aos vizinhos, empoeirando suas exemplares residências. Tijolos, cimento, suor e velhos encanamentos. Memórias estraçalhadas como vidros de uma janela quebrada, tudo agora, reduzido ao pó. A sala que já foi leito de espera, o quarto que já concebeu quase todos os formatos de paixão. Alguém que ali nasceu, cresceu, morreu, ou simplesmente seguiu sua vida. A casa cai, tudo é em vão. De que adianta erguer lembranças, se elas serão destruídas? Uma casa não é só uma habitação. É uma eternização, uma vida, reduzida a quase nada.

Eu arrisco dizer que Joan Jett foi (ainda é) a figura mais importante pro rock feminino (depois de David Bowie, claro) que já esteve entre nós. Se uma banda só de mulheres ainda hoje causa estranhamento em muita gente, imagine 30 anos atrás surgir um quarteto de garotas entre guitarras e baterias, no meio de bandas másculas como Sex Pistols e Ramones. Nada mais digno do que um filme biográfico contando a história do The Runaways, a banda na qual Joan Jett despontou antes de formar The Blackhearts e virar uma das mulheres mais influentes da música, com canções como I Love Rock’n’Roll (não, não é da Britney Spears) e Bad Reputation. Joan é uma cinquentona inteira e enchuta que não perde nem a pose nem a atitude, e uma feminista assumida que está ajudando na produção executiva do filme. Até ai tudo bem. Nenhum fã de rock em sã consciência há de reclamar de filmes que tratem de seus feitores no cinema, tendo em vista a produção de ótimos filmes como Control, sobre a vida de Ian Curtis, O amor mata, sobre o casal-bomba Sid e Nancy, e ainda o The Doors, um filme incrível sobre Jim Morrison e sua trupe. Mas como pegam uma atriz insossa e sem muito que mostrar para fazer um papel tão importante? Talvez eu esteja precipitada em julgar, mas a última pessoa no mundo que eu escolheria para interpretar Joan Jett seria Kristen Stewart. A atriz começou com o papel da filha de Jodie Foster em 2002, no filme “O quarto do pânico” e antes de virar a queridinha dos leitores da saga Crepúsculo, fez pequenos papéis não notáveis como o no último filme dirigido por Sean Penn, Na Natureza Selvagem. Kristen tem acertos e erros em sua filmografia, mas nenhum dos filmes em que ela está são bons por sua atuação. Em Eu e As Mulheres de 2007, ela é praticamente uma figurante entre Adam Brody e Meg Ryan. Para mim, Kristen é só uma atriz de uma franquia de filme adolescente com o intuito de arrecadar bilheteria fadada ao fracasso da crítica e euforia dos fanáticos pelo livro (mal escrito) de Stephenie Meyer. Um papel com o de Joan Jett é muita responsabilidade para uma atriz relativamente novata. É uma pena não terem procurado (certamente teriam achado alguém mais qualificado) mais por alguém com mais experiência e que pudesse fazer inclusive as performances da Joan até porque aposto que as cenas de shows serão todas dubladas. E eu duvido muito que ela aceite fazer certo tipo de cena que provavelmente terá no filme. Eu realmente sinto vergonha alheia pelas pessoas conseguirem estragar algo que daria certo se fosse feito com o respeito e a responsabilidade que merece e não pegar atrizes ‘famosas’ só para render bilheteria.

Não, você não é a Joan Jett. Saí desse corpo que não te pertence! Fica a dica.
A sala escura forrada pelo carpete vermelho já havia se tornado há um bom tempo, seu templo sagrado. Uma das 174 poltronas reclinavéis sempre seria de Fabrizio. Todas suas moedas eram trocadas por ingressos, e as vezes, até sua comida. Se faltassem filmes, faltaria ar. Seus relacionamentos eram todos com atrizes francesas ou americanas da década de 30. Paredes cobertas de cartazes e suas poucas roupas, todas espalhadas pelo chão empoeirado. Papéis rabiscados conturbavam rascunhos de roteiros mal escritos que seriam encenados por fantasmas em cenários baratos. Tudo que o libertava o reprimia. Fabrizio estava preso em um mundo que não existia. A crise econômica se agravava, operários trocavam as salas de cinema pelos protestos e lembravam cada vez menos da tela cuidadosamente fixada do outro lado da parede, logo em frente a uma indústria qualquer. Os lucros de Jacques eram cada vez menores, e o tão temido prejuízo bateu a suas portas. Afogado em dívidas, fechou o único sonho de Fabrizio em uma quarta à noite. Fabrizio viu sua última sessão como quem visse seu próprio funeral. Saiu pela porta pela qual nunca passaria de novo, e só então percebeu que a vida não era nenhuma encenação cinematográfica.

Que não se julga um livro pela capa, já é um clichê. Mas e um filme? Pode-se julgar um filme pelo diretor? Precipitadamente, eu achava que sim. A minha relação com Gus Van Sant foi uma colisão em imediato. O primeiro filme que vi dele, em 2007, foi Últimos Dias. A história de um roqueiro deprimido e suícida afundado em drogas (qualquer semelhança com Kurt Cobain não é mera coincidência), não poderia render um filme bonito ou feliz, mas, se bem trabalhado, o resultado seria no minímo interessante. Provavelmente, foram as duas horas mais longas da minha vida, e eu nunca torci tanto pela morte de alguém, como torci para que o personagem do Michael Pitt desse um filme àquele tédio e monotonia. Passei a ter antipatia do Gus, e nunca mais passei perto de nada que ele tivesse dado se quer sua singela opinião. Ignorância ou teimosia, resolvi dar uma segunda chance ao diretor norte-americano. Talvez tivesse começado mal, ou feito uma escolha infeliz. Mas não, Paranoid Park, outro enredo em potencial para um bom filme, foi destruído e só não é pior que Últimos dias. Insoso e chato seriam palavras suficentes para descrever o fiasco da história do adolescente skatista em um skate park sem regras e sem limites. O único limite ali era minha paciência. Gus estava na minha lista negra, e não seria fácil sair de lá. Minha próxima aventura com Van Sant ocorreu por um descuido e um deslize meu. Se eu soubesse que ele era o diretor de Gênio Indomável, nem Matt Dammon nem Ben Affleck me fariam mudar de idéia. Mas dei o braço a torcer ao ver seu nome como diretor de um filme bom, e até me surpreendi um pouco. Gus fez seu primeiro acerto comigo, mas meu orgulho ainda falava mais alto, até o final de 2008. Eu não deixaria de ver Milk só pelo leve desintendimento com o seu idealizador. O filme é incrível e corajoso, com atuações impecáveis, que inclusive, rendeu o Oscar de melhor ator para Sean Penn, na pele do político ativista gay Harvey Milk. Não foi o suficiente para me convencer que Gus era excelente, e eu comemorei por ele não levar nenhum prêmio de melhor diretor. Na verdade, tinha esquecido da minha história de amor e ódio com Gus Van Sant até poucos dias atrás. Peguei Garotos de Progama para assistir, e o fantasma Van Sant me assombrou mais uma vez. Comecei o filme com certo preconceito, afinal, uma desavença dessas não desaparece fácil. Mas logo vi que estava enganada. O filme é um dos melhores que vi recentemente, e é inacreditavelmente, impressionante e bom. O retrato de uma juventude lagarda e vendida, prostituída (não só sexualmente) por sua própria decadência. Sem contar com a – me arrisco a dizer – melhor atuação de Keanu Revees em toda sua carreira, e a performance do infelizmente morto River Phoenix. Não é fácil reconhecer que Gus é um bom diretor. Com a esperança de não me arrepender, tenho que admitir: Gus Van Sant me venceu. Felizmente.

Nina Rocha Campos: humor, sarcasmo, filmes velhos, gírias antigas, rascunhos esquecidos, críticas ácidas, frases vagas, música barulhenta, café forte, alguns livros, chocolate meio-amargo e 17 anos bem vividos.
