
Ao longo da história da civilização, o orgulho pela pátria foi um fator decisivo na formação de muitos estados nacionais. A França precisou invadir a Argélia, a Itália venceu a Áustria e a França, e a Alemanha teve que atingir uma plenitude econômica e desenvolver o sentimento de raça superior para se denominar uma nação. No Brasil, não é diferente. Mesmo que não precisemos de guerras ou invasões, enfrentamos muitas batalhas para alcançar o tão sonhado “sentimento nacional”. As lutas dos brasileiros são em grandes arenas gramadas, torcedores eufóricos, como se assistissem a uma luta de gigantes do Coliseu; a guerra Brasil versus mundo se chama futebol. Cariocas e paulistas esquecem suas diferenças, os sulistas nunca são tão unidos ao resto do país, ninguém nunca foi tão brasileiro. E não é para menos; o Brasil é o país do futebol, carnaval e samba. A emoção de uma bola na trave, o balanço da rede na hora do gol e o ritual quase religioso do futebol no domingo à tarde, fazem parte da paixão nacional. Unanimidade de esporte favorito, o futebol caracteriza nosso país. Os ídolos nacionais? Nada de Santos Dummond, Juscelino Kubischeck ou Carlos Drummond de Andrade. Os nomes lembrados sempre serão de grandes ícones do futebol, como Pelé, Garrincha e Ronaldinho. Mais do que amor, o futebol é o vício brasileiro, o ópio do povo, e um fanatismo muitas vezes doentio.
Mas ser brasileiro é só ser patriota na hora da Copa ou nos confrontos com os grandes rivais? Por mais absurdo que possa parecer, falta amor à pátria. Ser brasileiro nas Olimpíadas ou no carnaval é fácil, mas as pessoas que valorizam a nação estão escassas. No Brasil faltam brasileiros, nossas terras são habitadas por um povo alienado e indiferente, que ignora sua própria cultura. A diferença entre a Grécia antiga e o Brasil atual, é que o pão é o Bolsa-Família, e o circo, o futebol. Onde está aqueles que têm orgulho do país na hora de revogar seus direitos aos governantes, acabar com a educação precária, criticar a ocupação indevida de terras, o desmatamento e contrapor tudo que lhe é estabelecido? O Brasil é carente de pessoas que o represente e lutem pela construção de um estado mais digno e mais igual, e não é através do futebol que isto será alcançado.
Nosso país precisa de mais brasileiros que assumam com sua pátria o compromisso de lutar por melhoras na qualidade de vida e um país menos corrupto. Nada adianta vibrar e torcer com seus conterrâneos, se depois, eles se tornam vítimas de preconceito, violência e desigualdade. A batalha toma uma dimensão muito maior que os campos; o Brasil precisa de brasileiros não só no futebol, mas o tempo inteiro. Ser brasileiro ai muito além dos gramados, ser brasileiro é viver em harmonia com sua pátria, lutando por um país melhor, mais unido e mais justo, e só então, todos terão orgulho de realmente serem brasileiros.

Janeiro chegou novamente,

