Archive for Maio, 2009
Medíocre é uma ova!
Pouco verso
E muita prosa
Meio rock’n'roll
Meio bossa nova
Num outro universo
Eu me desconverso
Com graça despretensiosa
Rendo ao menos uma boa trova

Crises (Im)produtivas: Bloqueio Parte II
Geralmente minhas crises existenciais me rendiam bons textos. Parece que quanto mais tento e quanto mais escrevo, pior meus textos saem. Ou mais exigente comigo mesma eu fico. As vezes exigo mais de mim do que o mundo realmente precisa, e se é que ele precisa de algo. Meu professor de história uma vez disse que para combater um problema, precisamos buscar a causa dele, sem ir direto as soluções. E acho que o desencadeou minha série de perguntas sem respostas interrogadas na minha mente, foi uma dessas aulas. Estavamos falando sobre o Socialismo. Karl Marx, Engels e suas teorias, a dialética, o conflito de opostos. A tese, a antítese, e a síntese. O fato de que o mundo não é um fenômeno acabado, e sim em constante transformação. Até ai, eu concordo: é óbvio e incontestável. Mas então chego em outras questões: a inconstância, a incerteza, e todos os outros ins+adjetivos possíveis, e só então na destruição e no caos. Eles são completamente necessários: o ‘germe’ da destruição está em tudo. Mas destruição adquire um significado pejorativo, não devia ser visto como algo ruim, e sim como uma transição. A destruição faz parte da criação. Não tem como criar algo sem acabar com uma outra coisa. Ainda no barco da incerteza, chego em Nietzsche, que diz que não há fatos eternos, assim como não há verdades absolutas. Se não existem verdades absolutas, em que acreditamos? E se não somos o que somos, e sim o que não queremos ser? É a mesma coisa que fuzilar tudo que você já aprendeu até hoje e enterrar no quintal, sem nenhuma cerimônia. Ou seja: nós precisamos da destruição, e porquê não da auto-destruição? Somos incostantes e irreais ao ponto de estarmos nos destruindo ao invés de nos construindo a cada dia? E só então chego onde queria: a minha falta de produtividade seria a destruição dos meus sentidos ou a construição de um nível elevado de exigência? Concluo meu pensamento com Thomas Mann. ”O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever”. Espero conseguir dormir depois dessa.
Batida Irracional
O leite derramou,
O café acabou,
O copo quebrou,
O lápis desgastou,
A página rasgou,
O carro bateu,
A sinfonia desafinou,
A janela fechou,
Suas palavras o vento carregou,
E só então o amor cessou.
E o que restou…
Nem se quer existiu.
O tempo não era um aliado de Trevor Reznick. Passara seus últimos dias em um porão imundo, rodeado cartas nunca enviadas e velhas fotos. Ele havia se tornado um escravo de si mesmo, e seu passado o perseguia incansavelmente a 150km/h até destrui-lo por inteiro. As inúmeras garrafas vazias e os ratos correndo entre as estantes de livros faziam um cenário pertubador. Trevor havia se corrompido. O mundo o corrompeu. Ele corrompeu o mundo. Mas ele já havia feito escolhas. Escolhas erradas que já não tinham mais volta. Sua existência tinha sido em vão, sua vida era plástica e descartável, insignificante. Vozes o atormentavam, e ecoavam na madeira antiga como discos arranhados. Só havia um meio de silenciar seu sofrimento, e nem disso ele foi capaz.
As palavras decoradas ecoavam repetitivamente diante do espelho no quarto vazio. O discurso ensaiado nunca sairia, por mais que fosse contra sua vontade. Os vícios já não podiam ser mais sustentados: o maço vagabundo acabou, a garrafa já estava praticamente vazia, e das mulheres amadas, só restavam as memórias das prostitutas que ele já não podia mais pagar. Ele havia falhado em tudo. Perdeu o emprego nas bebedeiras madrugada a fora, perdeu o carro velho no jogo de cartas, perdeu a dignidade num beco qualquer. Perdeu até a si mesmo, na própia decadência, no fracasso, na tentativa frustrada de ser alguém, e não só um fantasma vagando pelas ruas. Não havia mais nada ali, a não ser o resto de whisky que descia a seco enquanto suas derrotas refletiam aquilo que havia se tornado.
Revolucionária de Sofá
Sou uma ferida mal-curada que teima eu não fechar
Uma alma desarmada, um alto-falante sem voz
O surdo que nada vê, o cego que nada pensa,
O mudo que nada escuta, o porta-voz que nada fala.
O músculo cardíaco que insiste em pulsar
O cerébro à beira de um colapso
Um idiota inconformado, um palhaço fracassado
O poeta sem rima, o artista sem música
O ator sem palco, o revolucionário calado que persiste em achar que pode mudar alguma coisa.
Ó, pobre de mim!
Amor A Três Negativos
Era inverno de 78 na França. Tudo que Nathalie tinha era um telefone anotado num papel desbotado no bolso esquerdo do casaco azul. Muitas horas de viagem e pouco dinheiro, enquanto a cada esquina cruzada, a procura por uma face amável se distanciava mais e mais.
Ela era a musa dos incompreendidos, ele, o arquiteto dos amantes. Ela, os versos imcompletos, ele, o poeta sonhador. Ela era a protagonista de uma cena de amor, ele, o diretor em busca de uma tomada perfeita. Ela o frio, ele, o cobertor. Ela o fogo, ele o ardor.
E numa chama que se acendia, finalmente se encontraram numa madrugada de quinta, à beira de um rio qualquer. Os olhos fechados, o tênis amarelado, quase na ponta dos pés. Suas bocas se encontraram, no ritmo de uma valsa sem fim. As luzes da cidade comemoravam, junto com as ruas cinzentas sem movimento, que adormecia em silêncio O tempo não os tornara amantes exaustos, mas o frio fazia os dedos das mãos tilintarem. Ali estava aquecido, mesmo que a três graus negativos.
Bomba Mental
Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Quem discorda, além de ser mau intérprete, não sabe as possibilidades de diferentes perspectivas que está perdendo. Até um gesto mínimo, pode valer mais que inúmeras horas de conversa. A comunicação não precisa ser necessariamente falada ou escrita: a linguagem visual é a forma mais apelativa e a que mais atinge um determinado público.
Cores, formas, desenhos, músicas, filmes e outros, podem ser usados como formas diferentes de dizer a mesma coisa, de inúmeras maneiras. São possibilidades e recursos, e muitas são as oportunidades de demonstrarmos nossos pontos de vista e ideais de forma que não a falada ou a escrita. Seja por expressão corporal, facial ou simbologias, a todo tempo temos chances de expormos nossos ideais políticos ou culturais, sociais ou econômicos, relevantes ou não. É um desperdício não sabermos explorar tamanhos potenciais. Ou ainda pior: utilizá-los de forma manipuladora onde não haja nenhuma forma de enriquecimento em nenhum aspecto. A propaganda, por exemplo, uma maneira de comunicação visual, ao invés de nos mostrar em que alguns produtos podem ser úteis em nossas vidas, só faz influenciar o impulso consumista e capitalista para lucrar. A música, enquanto poderia nos oferecer belas poesias em melodias agradáveis, apelam para palavras de baixo calão e temas baixos, com o único objetivo de chamar atenção e vender.
Afinal, em que consiste nosso grande objetivo? Lucrar à base da fraqueza ou mau gosto alheio e nos tornarmos fúteis e sem conteúdo? Ou saber compartilhar nossos conhecimentos e experiências para construir uma sociedade onde todos tenham a chance de pensar por si próprio e ter opinião e argumentos para provara suas idéias? Mas não é isto que o mundo exige de ninguém. Afinal, quem comanda (quem tem capacidade de manipular opiniões), não ganharia nada se todos fossem racionais, e deixássemos de ser robôs sem capacidade de seguir seus próprios princípios. Para eles, o bom é que ninguém possa enxergar o mundo como ele é, e nunca fazer nada para mudar a situação. Por ficarmos calado ou indiferente, por agonia, receio ou medo, poucos usam os artifícios que nos são oferecidos para conseguir de fato mudar algo. Temos mesmo liberdade de expressão, ou vivemos numa ditadura de pensamento, onde limitam nossas mentes?
Não é preciso revoltas ou revoluções, mas uma mudança de pensamento. A revolução é apenas interna. O mundo tem tanto a nos oferecer, e a única coisa que importa é a boa faculdade que tem que passar, para passar a vida lutando por um sistema sem ideologias e no fim, comprar um carro importado 0 km ou uma bolsa nova da coleção de inverno. A vida perde o sentido quando não se tem um bom objetivo pelo qual lutar. A mudança está dentro de nós, e enquanto a postura não mudar, os meios de comunicação vão continuar ditando nossos meios de agir e de pensar. E sem nenhum impacto. Nenhuma forma de linguagem vai dizer o que deve ser dito em silêncio. Isso ninguém escuta, vê, ou lê. Mil imagens ou mil palavras, não farão nenhuma diferença, quando só nos basta perceber.

Mercado de Banalidades Imóveis Pseudo-amorosas
Engraçado como algumas coisas que parecem ser banais passam despercebidas, e quando as percebemos, deixam de ser banais e se tornam uma rede de pensamentos complexos. Dia desses, avistei uma placa de aluga-se em uma casinha pequena e simpática do lado da minha casa, no caminho da escola. Por alguns minutos, fiquei parada em frente a ela, depois continuei andando bem devagar e fazendo algumas reflexões internas. A casa parecia ter acabado de sair de uma reforma. Mas não de uma reforma como a que eu havia passado. Imaginei todas minhas paixonites platônicas, agudas e mal-resolvidas morando ali. Mas não tinha graça nenhuma. Era como se a casa continuasse vazia. Inabitada. Oca. Seca. Evidência de que as coisas têm que ser mantidas como supostamente têm de ser. Se um dia tive alguém, hoje sinto falta disso. Se um dia quis alguém, hoje vejo que foi porque precisei. E um dia, a casa há ser ocupada. Não por muito tempo, mas será. E já foi. Não por muito tempo, mas foi. Hoje alugo esse espaço. Não vendo, nem negocio. Mas vagarosamente, ele vai sendo ocupado. Ou desocupado, não sei ao certo.
Procura-se Remédios
Conheço pessoas muito doentes. A doença delas é gravíssima. Não afeta o fígado, não atinge a pele, não tem nenhum sintoma aparente. Essa doença é a ignorância. É como um câncer. Se alastra a cada minuto que passa. Na realidade, não é fácil conviver com tal tipo de pessoa. E não engloba um certo darwinismo de se achar superior que os outros. É a exaustão de ouvir tanta besteira. É a ignorância de falar o que não deve na hora em que menos deveria estar falando. Eu deveria fazer uma crônica sobre as maiores pérolas que tenho ouvido ultimamente… Mas minha falta de paciência provinientes delas não permitem. Nunca permitirão. Não se sabe se a doença é bacteriana, virótica, ou cancerígena. Mas preciso de um remédio, uma vacina, um antídoto, o mais rápido possível.
Sobre a autora

Nina Rocha Campos: humor, sarcasmo, filmes velhos, gírias antigas, rascunhos esquecidos, críticas ácidas, frases vagas, música barulhenta, café forte, alguns livros, chocolate meio-amargo e 17 anos bem vividos.-

Calendário
Categorias
Post or Toast?
Arquivos
-
Vale uma visita
- Banquete dos Mendigos
- Berinjela à Milanesa
- Blog de Brinquedo
- Boa Tentativa
- Brainstorm 9
- Byte Que Eu Gosto!
- Cabine Celular
- Café de Fita
- Cancer Jack
- Casa da Pequenina
- Championship Chronicles
- Cinema Com Rapadura
- Contra a Correnteza
- Crazyseawolf
- Decepção não mata, engorda
- Do Hospital ao Cabaré
- Dr. Caligari
- Falando Em Música
- Fator 46
- FFFFOUND!
- Filosofia de Mierda
- Flowers and Cream
- Frustrações e Afins
- God vs. Godard
- Grifatexto
- Groupie's Lounge
- Hoje é um Bom Dia
- Hypeiro
- I Can Read
- Jovem Nerd
- Judão
- Linked O-rama
- Look my Make Up
- Meu estado de espírito
- Monalisa de Pijamas
- Morando Junto
- Move That Jukebox!
- My First Dictionary
- O Nerd Escritor
- O Nome não diz muito
- Pensar Enlouquece
- Pink Vader
- Podcast Suecado
- Portal Meira
- Post Secret
- Primavera nos Dentes
- Pró-apocalipse
- Provérbios Segundo São Daniel
- Rock'n'beats
- Te dou um dado?
- Tecnoblog
- Unhas Fracas
- Universo In-verso
- Viver e morrer no Cinema
-
Comentários
- fabio em Vida Longa ao Rock’n'Roll!
- Max Martins em Quadrilha Moderna
- Carol em Por Ai
- Ellen em Vergonha Alheia
- juliana em Domingo
Lactobacilo Morto