Quando temos o suficiente, ele nunca é o bastante. Quando temos o bastante, ele nunca é o suficiente… Sempre há um vácuo que nunca será preenchido, um vazio que nunca será tomado. E se for, de que adiantaria viver? Tudo perderia a graça, mesmo quando não fosse nem um pouco engraçado. Mas a necessidade de ser desafiado a cada instante fala mais alto do que qualquer vestígio de monotonia ou conformismo. Precisamos disto, é e isto que queremos nos livrar.
Monthly Archives: Abril 2009
O Passageiro
Poderia ser apenas uma das milhares de pessoas que cruzavam seu caminho em um dia qualquer. Mas os olhos cansados atrás das lentes arranhadas não passaram desapercebidas, e o motivo não era as noites insones atravessadas. O rosto desgastado em função dos seus tragos precoces, escondia ali alguém que passara em sua vida e nunca mais partiria – de uma forma ou de outra, estaria sempre ali.
Conversas interminavéis, uma afinidade aparente, logo tornaram-o alguém indispensável em todos dias ímpares de cada mês. Das três às cinco e meia, enquanto o sol incidia em seu sorisso amarelado, as vezes um tanto forçado, mesmo que houvesse silêncio, este poderia extender por horas, mas nunca, de forma alguma, jamais seria constrangedor ou pertubador; aquele silêncio era confortador e valia mais do que qualquer sequência impactante de palavras. Aos poucos, foi se apegando, necessitava cada vez mais e mais de suas palavras e do seu olhar aconchegante, e logo se viu dependente daquilo, mas o vício a fazia bem. Vícios não são facéis de serem mantidos, nunca foram. Ele poderia ter só passado, mas permaneceu, mesmo que em uma folha de papel amarelada e em um agradecimento tardio nunca dito, pois ele mudara ali, toda a vida de alguém que um dia parou, e deixou de ser apenas mais uma em seu caminho, que serviu de inspiração para versos incompreendidos, que só ela guardou.
Elizabeth II diz:

saicu
De volta ao presente
Fico imaginando os ícones de certas gerações vivendo nos tempos atuais. Elvis, Lennon, Jim Morrison, Hendrix e outros conseguiriam mater suas imagens adoradas mundo a fora no século XXI? Ou será que Sid Vicious estaria compartilhando uma seringa com Pete Doherty no subúrbio londrinho, e Jimi Hendrix estaria travando solos interminavéis numa batalha com Keith Richards ou Slash? Jim Morrison se revoltaria com o sucesso dos Jonas Brothers, e Kurt Cobain teria um affair com Amy Winehouse, enquanto John Lennon jejuaria até que as tropas americanas fossem retiradas do Iraque. Janis Joplin flagrada sem calcinha, Ian Curtis disputando com Thom Yorke quem escreve as letras mais melancólicas, ou Keith Moon ensinando a Meg White como se segura uma baqueta. Os Ramones mostrariam com quantos acordes se faz uma música, a briga entre Beatles e Oasis na disputa do cargo de banda britânica mais polêmica nunca acabaria, e Elvis promoveria um concurso entre Mick Jagger e Iggy Pop para saber quem rebola melhor. Para infelicidade dos tablóides, as coisas vão continuar as mesmas por enquanto. A música e seus bons ouvintes agradecem.

Citando Iggy Pop

Now I wanna be your dog!