Torradas Tostadas

Archive for Janeiro, 2009

Sobre o que sei

            Daria tudo para nesse momento conseguir colocar em um papel branco ou numa tela vazia tudo que sei. Nada de dramas, remorsos, exageros, euforias, dores ou amores. Apenas o que sei. Não o que deixei de saber, ou o que nunca saberei, só e unicamente aquilo que sei.  

            O que sei sobre a vida ou a morte, a noite ou o dia, sobre o homem que chora ou sorria, sobre o jardim abaixo da minha janela ou a luz que se apaga com o sopro de uma vela. Tudo que sei, ou quase nada, tem verdadeira importância, se o se sei que o tempo ou a distância me fazem permanecer calada quando tudo que penso diz respeito a você.

            Palavras desnorteadas, sem rumo, frases rabiscadas que jamais serão lidas, promessas de amor que nunca serão ouvidas, tudo se mistura e se perde entrando em contradição com tudo aquilo que carrego comigo. Tudo diz respeito à você. É a você a quem meu pensamento pertence, é você quem espero enquanto o dia está amanhecendo, mesmo sabendo que não estará lá. Comigo apenas a certeza de que um dia estará. Me contento a observar a noite enquadrada na minha parede.. Tão negra quanto teus olhos e tão profunda quanto meu afeto por ti. A paixão em seu formato mais reprimido, um equilibrista na beira de um vulcão. Deslizes e detalhes são cruciais. Desconsidero tudo que sei sobre amor. Pesa, machuca,  mas sei que um dia estará lá.

 

 

 

 

 

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Pedras Pretas e Brancas

É, não posto há alguns poucos dias. Em parte, porque não estava tendo tempo, fiquei uns 3 dias bem ausente da internet, e não, não reclamo nem um pouco disso! E também porque os posts sairiam ou muito eufóricos, felizes demais ou extremamente dramáticos. De fato, minha vida não é interessante ao ponto de ter algo novo e útil pra falar a cada vinte e quatro horas, mas.. Bem, isso não é um post interessante.  Poderia apagar tudo, e dizer o quão entediante e angustiante meus últimos dias foram, mas não tenho a minima paciência de fazer isto.. Minha mente anda um turbilhão, mil pedacinhos de cada coisa entrando em combustão a cada minuto, e isso me deixa realmente confusa. A única conclusão que consigo chegar é que o que realmente importa pra mim, são os detalhes, e as pequenas memórias. As lembranças de cada momento, fazem as coisas valerem realmente a pena.  Dias, horas, minutos, segundos e pessoas passam despercebidos, mas são eles que ficam. Essa semana vi um filme, que apesar de não ser o objetivo exato dele, me passou uma idéia bem interessante. O filme é “Alguém tem que ceder”, não vou contar a história e sim a parte que eu achei interessante. Jack Nicholson faz o papel de um velho pegador, sempre a procura de mulheres mais jovens, e pelos encontros e desencontros da vida, acaba tendo que ficar numa casa de praia com a mãe da sua então namorada. No ínicio, ela resiste, é uma mulher totalmente contra o tipo de homem que ele é, mas depois eles começam a se dar incrivelmente bem! Tem uma cena do filme, que achei bem peculiar e bem interessante. Em uma caminhada matinal, a mulher que eu não recordo o nome,  começa a pegar pedras brancas pela praia, e então o personagem do Jack questiona porque ela tem essas pedras por toda a casa, e leva uma pedra preta, que é deixada sobre as outras. Em outro momento do filme, na ocasião de uma despedida, ela dá de lembrança, um pote de pedras pretas com um pedra branca no meio. O que achei legal nisto, é que me fez chegar em duas conclusões: pequenos detalhes fazem toda a diferença, literalmente, não importa a situação. Além do poder de mudança que as pessoas exercem sobre nós. É incrivél como alguém pode mudar sua vida, com um simples gesto ou palavra. Como pedras brancas ou pretas mudam nossas vidas, e o verdadeiro significado de cada pessoa que passa por nós. Talvez não fosse esse o objetivo dessa cena no filme, mas foi esse impacto que ela causou em mim, e eu gostei. 

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No Espelho

 Escuta-me agora, pois a voz do pavor

De notícias amargas virar carregada:

Em breve a teu leito será convocada

A mulher melancólica do luto e temor

A hora do leito é como o fim da vida:

Somos apenas crianças mais velhas, querida.

 

Não farei desse blog um relato do dia-a-dia, pois ficaria entediante, a tal ponto que nem eu mesma leria os devaneios virtuais.. Apenas me identifiquei com esse verso do livro “Alice no País do Espelho”, e achei interessante pra postar aqui.

 

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