
Filmes de criaturas fantásticas sempre agradam a muitos – e eu sem dúvidas estou entre eles. Adoro monstros, vampiros, Frankstein e… lobisomens. E um longa que tenha lobisomens protagonizando Benicio Del Toro desperta interesse, ou no mínimo curiosidade em qualquer pessoa que se interesse por cinema, suas vertentes e principalmente efeitos especiais. Não dá para esperar pouco de um filme com o orçamento estimado de US$85.000.000 e um elenco como o do “O Lobisomem”. A associação de um ator com determinado personagem é praticamente inevitável, mas se o ator mantiver os seus mesmos trejeitos, fica difícil imagina-lo em outro papel. É o que acontece com Antony Hopkins, que interpreta Sir John Talbot, pai do lobisomem Lawrence, vivido por Del Toro. É impossível assisti-lo sem ver claramente a mesma frieza que usou ao interpretar o Hannibal Lecter. Hugo Waving fica deslocado na trama, perdendo o seu espaço e a chance de salvar o filme. Ainda assim, o seu papel é feito com muita precisão. Del Toro, porém faz o seu papel sem enfrentar muitas dificuldades, até porque não parece ser um papel muito desafiante para quem já foi Che Guevara ou rouba a cena em filmes como 21 gramas. A progressão do filme é lenta e decepcionante, e as quase duas horas são muito mal aproveitadas e parecem se estender a uma eternidade nas salas de cinema. Certo, o filme é previsível e perde tempo com isso. Mesmo quem não viu trailers e posters, sabe desde a primeira cena de que quem se transformará no Lobisomem é o Benicio Del Toro, então não era preciso rodear tanto em torno de um mistério que na verdade, não existe. Aliás, é exatamente o que falta no filme. Não há mistério nem surpresas, sendo que o espectador em raríssimas cenas se sente assustado ou surpreendido. O filme, que é um remake do clássico de 1941 e é dirigido por Joe Johnston deixa muito a desejar, e não consegue, durante sua narrativa, se prender a um só estilo. Vaga pelo suspense previsível e até arrisca em termos psicológicos, e funcionaria melhor caso se prendesse a um só deles. O estilo, o clima do filme, a fotografia fria encaixaria perfeitamente em um longa de Sherlock Holmes. Creio que o roteiro tinha um potencial muito maior do que foi usado no filme. Ainda assim, a cenas de violência, mesmo que bebam um pouco no trash, são muito bem feitas, e as da transformação do homem para lobisomem quase fazem valer a pena a extensão lenta e os diálogos clichês. Não é tão bom como deveria ser, e nem tão ruim como andam dizendo. O filme pelo menos serve de dica para mostrar a Stephanie Meyer e a turma da saga Crepúsculo como lobisomens de verdade devem parecer.