Torradas Tostadas

Carcaça

Esboce um sorriso nesse rosto
Tire a camisa rasgada
Esqueça a velha carcaça
Em um canto qualquer.
É pesada,
Não serve pra mais nada
E é um grande desgosto
Te ver assim,
Se divertindo tanto,
Com o balançar de um corpo
Como se ao menos
Não importasse a mim

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Bom Brasileiro

O brasileiro é um ser conformado. Senta a bunda gorda em frente a televisão e não faz nada para interferir em nenhum tipo de mudança. Preguiçoso por natureza, prefere ignorar o caos que o ronda e ser alienado ao achar que está tudo sempre bem. Coloca a culpa de todos os problemas no sistema ou no governo, mas é incapaz de recolher o próprio lixo que produz. A indiferença e o descaso com o outro está em toda esquina, porque para o brasileiro é mais fácil negar um “bom dia” do que um pedaço de pão. O brasileiro é hipócrita. Contradiz os seus próprios princípios, quando estes existem, faz pouco caso da violência e corrupção, como se fosse tudo muito normal. Banaliza, canta palavras de baixo calão, mas se escandaliza com pouca roupa fora de época de carnaval. Orgulha-se de não ler livros, de não produzir, de não fazer nada. É uma realidade lamentável, mas poucos são os que realmente enxergam ou admitem a mediocridade que nos envolve e fazemos parte a todo instante. Se mudarmos a postura indiferente e egoísta para verdadeiros cidadãos socialmente, culturalmente e politicamente ativos, somos capazes de alguma metamorfose massiva, ou de uma revolução qualquer? Vai saber… Ser brasileiro não é só contribuir para o produto interno bruto.

O brasileiro é um ser conformado. Senta a bunda gorda em frente a televisão e não faz nada para interferir em nenhum tipo de mudança. Preguiçoso por natureza, prefere ignorar o caos que o ronda e ser alienado ao achar que está tudo sempre bem. Coloca a culpa de todos os problemas no sistema ou no governo, mas é incapaz de recolher o próprio lixo que produz. A indiferença e o descaso com o outro está em toda esquina, porque para o brasileiro é mais fácil negar um “bom dia” do que um pedaço de pão. O brasileiro é hipócrita. Contradiz os seus próprios princípios, quando esses existem, faz pouco caso da violência e corrupção, como se fosse tudo muito normal. Banaliza, canta palavras de baixo calão, mas se escandaliza com pouca roupa fora de época de carnaval. Orgulha-se de não ler livros, de não produzir, de não fazer nada. É uma realidade lamentável, mas poucos são os que realmente enxergam ou admitem a mediocridade que nos envolve e fazemos parte a todo instante. Se mudarmos a postura indiferente e egoísta para verdadeiros cidadãos socialmente, culturalmente e politicamente ativos, somos capazes de alguma metamorfose massiva, ou de uma revolução qualquer? Vai saber… Ser brasileiro não é só contribuir para o produto interno bruto.

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Frustração

Queria revolucionar alguma coisa, fazer uma pouca diferença, ser capaz de mudar opiniões. Pregar a paz não armada, libertar um país da ditadura, estabelecer um acordo milagroso que salve o planeta do aquecimento global ou da chuva ácida. Queria cercar uma árvore prestes a ser derrubada, e deixa-la intacta por mais um século, impedir um assalto, doar um dos rins para alguém a beira de um colapso. Queria escrever um livro banal e ganhar um Nobel, descobrir a cura da aids, abrigar inimigos do estado em minha casa, reinar uma ilha de um homem só, poder falar de amor sem falar de dor, fuzilar hipócritas com uma arma de guerra, criar uma ideologia onde não há contradição. Mobilizar insensíveis, escrever uma  boa poesia que um dia se torne música, fazer roteiros com reviravoltas inimagináveis, um filme sobre um desconhecido, registrar em um papel cada sorriso. Queria dar um abraço do qual jamais me soltaria, decretar o fim das regras, o fim da solidão, poder mostrar aos cegos, gritar aos surdos, a minha tamanha indignação. Mas estou aqui. Tudo que posso fazer é estourar meus tímpanos.

Queria revolucionar alguma coisa, fazer uma pouca diferença, ser capaz de mudar opiniões. Pregar a paz não armada, libertar um país da ditadura, estabelecer um acordo milagroso que salve o planeta do aquecimento global ou da chuva ácida. Queria cercar uma árvore prestes a ser derrubada, e deixa-la intacta por mais um século, impedir um assalto, doar um dos rins para alguém a beira de um colapso. Queria escrever um livro banal e ganhar um Nobel, descobrir a cura da aids, abrigar inimigos do estado em minha casa, reinar uma ilha de um homem só, poder falar de amor sem falar de dor, fuzilar hipócritas com uma arma de guerra, criar uma ideologia onde não há contradição. Mobilizar insensíveis, escrever uma  boa poesia que um dia se torne música, fazer roteiros com reviravoltas inimagináveis, um filme sobre um desconhecido, registrar em um papel cada sorriso. Queria dar um abraço do qual jamais me soltaria, decretar o fim das regras, o fim da solidão, poder mostrar aos cegos, gritar aos surdos, a minha tamanha indignação. Mas estou aqui. Tudo que posso fazer é estourar meus tímpanos.

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O verdadeiro Mr. Bean

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Só aguenta o outro quem quer. :D

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Music Sunday #05

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Como sobreviver a vôos

Sempre escolha o assento próximo à janela. Alguém certamente te pedirá para ceder o lugar – quem não gosta de se sentir potente, ao se ver passando bem acima de quem um dia te sacaneou, mas hoje sequer lembra do seu existir? Responda o que lhe calhar bem e julgue pelas aparências: algumas pessoas não têm o precioso dom de respeitar espaços, e vão sempre trombar seu cotovelo horroroso quando você estiver no ultimo gole do suco artificial com três pedras de gelo que você tanto estimou durante todo o serviço de bordo. Encha o seu bolso de todos os tipos de bala que te oferecem. Podem ser uma excelente arma de suborno para o pirralho de trás que há duas horas acha que a sua poltrona reclinável – que só não é mais dura que você – é um saco de pontapés. Abuse da boa vontade. Aperte todos os botões, acenda todas as luzes. Forje um ataque de pânico ou comece a cantarolar. Atire a revista da companhia aérea dentro da bolsa, mesmo não sabendo para que servirá. Mastigue um pedaço do lanche de plástico, esconda-o no saco de vômito e diga ter tido o seu melhor jantar da ultima década. Pergunte se não coam café, como adoçam o suco, ou se tem um chuveiro no projeto de banheiro. Faça do colega ao lado seu melhor amigo de infância. Conte-o todos seus problemas e seus piores segredos. Ele esquecerá de você logo após o avião pousar. Fale do seu chefe inconveniente e da sua vizinha eloqüente, e só depois se certifique se eles têm alguma ligação familiar. Será sua única companhia nas próximas escalas, então se gabe dos seus feitos, suas vantagens irrelevantes, mostre de relance os defeitos. Os relacionamentos são descartáveis e sem efeitos, portanto não se esqueça de nunca passar o número do seu celular. Tudo é banal, e quando minúsculas e insignificantes cidades desaparecem em um estante, quase devoradas pelo ar, não há nada consistente o suficiente que valha realmente a pena se apegar.

tumblr_kwpzstCEkj1qz6i2xo1_500_largeSempre escolha o assento próximo à  janela. Alguém certamente te pedirá para  ceder o lugar – quem não gosta de se sentir  potente, ao se ver passando bem acima de  quem um dia te sacaneou, mas hoje sequer  lembra do seu existir? Responda o que lhe  calhar bem e julgue pelas aparências:  algumas pessoas não têm o precioso dom  de respeitar espaços, e vão sempre  trombar seu cotovelo horroroso quando você estiver no ultimo gole do suco artificial com três pedras de gelo que você tanto estimou durante todo o serviço de bordo. Encha o seu bolso de todos os tipos de bala que te oferecem. Podem ser uma excelente arma de suborno para o pirralho de trás que há duas horas acha que a sua poltrona reclinável – que só não é mais dura que você – é um saco de pontapés. Abuse da boa vontade. Aperte todos os botões, acenda todas as luzes. Forje um ataque de pânico ou comece a cantarolar. Atire a revista da companhia aérea dentro da bolsa, mesmo não sabendo para que servirá. Mastigue um pedaço do lanche de plástico, esconda-o no saco de vômito e diga ter tido o seu melhor jantar da ultima década. Pergunte se não coam café, como adoçam o suco, ou se tem um chuveiro no projeto de banheiro. Faça do colega ao lado seu melhor amigo de infância. Conte-o todos seus problemas e seus piores segredos. Ele esquecerá de você logo após o avião pousar. Fale do seu chefe inconveniente e da sua vizinha eloqüente, e só depois se certifique se eles têm alguma ligação familiar. Será sua única companhia nas próximas escalas, então se gabe dos seus feitos, suas vantagens irrelevantes, mostre de relance os defeitos. Os relacionamentos são descartáveis e sem efeitos, portanto não se esqueça de nunca passar o número do seu celular. Tudo é banal, e quando minúsculas e insignificantes cidades desaparecem em um instante, quase devoradas pelo ar, não há nada consistente o suficiente que valha realmente a pena se apegar.

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Sean Lennon

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Imagine se você fosse músico, e seu pai fosse Keith Moon, Angus Young ou Freddie Mercury. Ok, desconsideremos a última possibilidade. Nem sempre carregar um sobrenome famoso pode ser uma vantagem. Além da pressão da mídia, vai ter sempre aqueles chatos “será que o talento é herança genética”. Não é o que acontece com o filho do beatle John, Sean Lennon. Filho de John e Yoko Ono (e nascido exatamente no mesmo dia que seu pai) é compositor, escritor, e até no cinema ele já se meteu. Apesar das comparações inevitáveis com os pais, os traços de Sean não negam nem um pouco o quanto de seu pai que carrega consigo. Sean pode não ter o carisma do pai ou a ousadia da mãe, mas com seu álbum solo lançado em 2006 Friendly Fire – que é trilha sonora do filme homônimo em que também atua – e canções avulsas lançadas pelo seu site, chama atenção pelas letras melancólicas entre o violão e baixo que acompanham a voz rouca do mais novo dos Lennons. Sean ainda trabalhou com o guitarrista do The Strokes, Albert Hammond Jr, em seu álbum de estréia, e tem em seu currículo parcerias com Mark Ronson e shows com o mutante Arnaldo Baptista. É bom ficar de olhos – e ouvidos – abertos, porque não há dúvidas de que qualidade, talento e oportunidades não faltam para o rapaz.

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Tylerismo

O mundo hoje é dividido entre vários tipos de pessoas: os capitalistas, socialistas, hedonistas, anarquistas, comunistas, facistas, cubistas… e Tyler Durden.

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(Via @joaolennon)

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Mania de repetição

Às vezes dá até pra confundir pessoas com discos arranhados ou papagaios de pirata no ombro repetindo sempre as mesmas palavras. Fazem sempre as mesmas coisas, encontram sempre as mesmas pessoas. Pedem os mesmos pratos ou fazem as mesmas ligações, assistem aos mesmos filmes, escutam as mesmas músicas, entoam as mesmas perguntas. Assinam as mesmas revistas, buscam as mesmas respostas, freqüentam os mesmos lugares, dão os mesmos beijos ou forjam os mesmos abraços. Ninguém ousa quebrar a rotina. Porque torna-la tão massacrante se pode ser tão agradável? Sair do círculo da mesmice, correr riscos. Pra que? A gente se inverte, se diverte. Mas sempre se repete. As represálias, as falas, as gravatas e o tipo do sorvete. Porque não arriscar? Detalhes podem ser um tanto quanto insignificantes, mas o shuffle de vez enquanto não é tão aterrorizante como aparenta ser. E não é do modelo de Ipod que tô falando.

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Porta-retrato

Ele chamou pelo seu nome. Poderia ser seu vizinho, seu amante, seu amigo. Bateu a sua porta, como um estranho, um intruso. Disse que ela era linda. Ela não escutou. Disse que ela era extremamente bonita. Ela não acreditou. Perguntou se não se cansava dele. Mas era uma pergunta retórica. Mas quem falou que para falar muito é preciso falar demais? Ela disse que o deixaria. Ele simulou um infarto extremamente forçado. Ninguém naquela idade teria um colapso, ainda com todo sedentarismo que o acompanhara pelos anos. Anunciou sua derrota para os amigos. Veio o caminhão de mudanças. Deixou as fotografias para trás. Talvez as tenha esquecido sobre a mesa. Talvez tenha sido proposital. A cama desmontada, o colchão no chão. Sabia que teria uma boa noite… Mas dessa vez, sem ela.

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